Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 07/10/2021

Funcionando conforme a Lei da Inércia, a qual diz que todo corpo tende a permanecer em movimento até que uma força suficiente atue sobre ele, o preconceito brasileiro contra imigrantes ainda existe no Brasil. Nessa perspectiva, mediante à crise migratória pós-moderna, observa-se o preconceito, culturalmente enraizado na população, o qual suscita um posicionamento xenofóbico contra, principalmente, os refugiados, como a força que mantém a problemática.

A princípio, pode-se afirmar que a rejeição do imigrante, por parte dos brasileiros, é legada das gerações passadas. Isso acontece, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, devido às estruturas sociais formadas durante o início da socialização dos indivíduos, as quais são naturalizadas e incorporadas pela sociedade. Dessa forma, o olhar discriminatório ao imigrante, ainda no século XIX, consolidou-se no caráter brasileiro. Assim, discursos de ódio em redes sociais, agressões e perseguições tornaram-se comuns no país e revelam a hipocrisia de um povo com gene miscigenado desde a sua descoberta pelos portugueses em 1500.

Por conseguinte, tal ciclo de desigualdades faz dos refugiados as principais vítimas da xenofobia. Tal fato vai de encontro à Constituição Federal, cuja Lei de Migração estabelece vistos de proteção humanitária e confere igualdade aos refugiados como qualquer cidadão brasileiro. No entanto, após a Guerra Fria e a intensificação da globalização, o nacionalismo, extremismo religioso e o territorialismo reforçam a intolerância brasileira. Nesse viés, essa realidade é deveras preocupante, considerando os quase 200 mil refugiados haitianos e venezuelanos presentes no Brasil, conforme dados governamentais, os quais chegam em território nacional desde 2010 e que necessitam de amparo e empatia.

Destarte, é mister que para corrigir o impasse o Ministério da Cidadania, em consonância às Prefeituras, estimule o respeito e a aceitação do imigrante, por meio de palestras em associações de bairro e feiras culturais em escolas municipais, as quais devem ser ministradas por internacionalistas e geógrafos, que apontarão as dificuldades dos estrangeiros até a chegada ao Brasil e que encorajarão as trocas culturais e afinidade entre os povos. Sendo, então, a diligência brasileira como a força capaz de mudar o rumo da questão: da existência para a extinção.