Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro
Enviada em 12/09/2022
Para Marx, os eventos sociais são reflexos das condições materiais das classes, de forma que a migração revela uma crise estrutural do sistema capitalista. Assim, é preciso que o Estado brasileiro desenvolva uma postura mais ativa e conciliadora nas relações internacionais, de modo a mitigar esses efeitos. Esses atos precisam considerar os prejuízos produzidos pelos avanços do capitalismo, além de ter base nas normas jurídicas que delimitam o comportamento do país na Constituição.
Nesse sentido, é basilar evidenciar que a globalização é o ápice da internacionalização do sistema vigente. Acerca disso, Milton Santos, em “Por uma Outra Globalização”, aponta que essa configuração econômica propõe transformar os espaços dos países subdesenvolvidos em mercadorias. Nessa lógica, tais nações são docilizadas pelo capital estrangeiro, que sem instituições sólidas para combater seu poder, sofrem as consequências desse processo, como a fome, o que leva a população à necessidade da migração. Logo, torna-se inevitável tecer críticas a esse modo de produção, devido a seus estragos degradantes.
Tendo em vista tal lógica funcional, vale destacar a existência de normas que regulam os deveres do Brasil no cenário internacional. Por isso, cita-se o Artigo n.º 4 da Carta Magna, que afirma o compromisso do país com a defesa da paz e cooperação entre os povos. Dessa forma, é fundamental ações de acolhimento aos emigrantes e combate à conformação geopolítica atual, tendo em vista que a inanição ou atitudes que agravem tal fato contribui para o descumprimento da lei. Por esse motivo é vital que o país exerça atividades mediadoras no teatro global, considerando o interesse e a soberania das partes no momento das decisões.
Portanto, fica claro o olhar brasileiro correto do ao estrangeiro. Em razão disso, caberá ao Itamaraty, órgão responsável por gerenciar os vínculos entre as nações e o Brasil, inserir a pátria nos debates internacionais como representante dos estados subdesenvolvidos. Isso seria feito por meio do fortalecimento das relações sul-sul entre os países, mediante o envio de missões diplomáticas a esses povos, para compreender seus anseios nacionais e levá-los às assembleias mundiais, no usufruto da posição da nossa república no tabuleiro geopolítico. Atitudes como essa contribuirão positivamente ao mundo.