Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 03/09/2019
No ano por volta de 430 a.C, uma epidemia misteriosa acometeu a cidade de Atenas. De acordo com o historiador grego Tucídides, foi suficiente para matar um terço da população local, sendo esse evento um dos responsáveis pelo início do declínio dessa civilização. Porquanto, esta doença foi descrita como a Varíola, uma enfermidade que teria sido completamente erradicada quase dois milênios mais tarde, graças à descoberta da vacina. Desta forma, mostra-se evidente o papel dos órgãos do Estado na saúde pública, o que traz a discussão sobre quais ações o governo pode tomar pra mediar problemas que possam atingir a população.
Paralelo à erradicação da Varíola, o Brasil exerceu o mesmo papel contra o Sarampo, doença essa que havia sido controlada devido às fortes campanhas de vacinação feitas pelo Estado. Porém, o crescente número de pessoas anti-vacinas, estimuladas pelo médico inglês Andrew Wakefield, que associou o aumento do número de crianças autistas com a vacina tríplice viral, fez com que a doença retornasse a sociedade após anos sob controle. Por conseguinte, esse fato demonstra uma fragilidade do Estado tanto em educar as pessoas sob o papel da vacina, quanto em assegurar que a população tenha acesso a saúde.
Convém lembrar que, a Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro no início do século XX, foi motivada por populares que não queriam ser medicados pelo Estado, porque a obrigatoriedade era uma invasão do espaço privado do corpo da pessoa. O problema foi solucionado após o governo regulamentar a Lei da Vacinação Obrigatória - regente até os dias atuais -, e por ensinar às pessoas que a vacina não causava male nenhum. Assim, fica claro que o estado é papel fundamental na defesa da qualidade de vida e na erradicação de adversidades que possam acometer a população, mesmo que para isso seja necessário violar o espaço privado de outrem; toda a sociedade se beneficia da erradicação de doenças potencialmente letais.
Portanto, é mister que o governo continue a tomar medidas para garantir o bem-estar dos brasileiros. O Ministério da Saúde deve propiciar campanhas de vacinação com centros de atendimento e médicos especializados, visando atender também as populações mais afastadas dos grandes centros urbanos. Em paralelo, o Ministério da Educação deve educar as pessoas nas escolas e em espaços públicos, com eventos e palestras sobre a importância da vacinação na prevenção de doenças. Por fim, com políticas públicas sérias e eficientes, o Estado terá chance de evitar que doenças já erradicadas possam retornar e ruir uma civilização, como o acontecido há mais de 2000 anos, na cidade de Atenas.