Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 04/09/2019
No ano por volta de 430 a.C, uma epidemia misteriosa acometeu a cidade de Atenas. De acordo com o historiador grego Tucídides, foi suficiente para matar um terço da população local, sendo esse evento um dos responsáveis pelo início do declínio dessa civilização. Anos mais tarde, essa doença foi descrita como a varíola, uma enfermidade que teria sido erradicada quase dois milênios depois do ocorrido, graças à descoberta da vacina e políticas públicas de vacinação. Desta forma, mostra-se evidente o papel dos órgãos do Estado na saúde pública, o que traz a discussão sobre quais ações o governo pode tomar para mediar problemas que possam atingir a população.
Paralelo à erradicação da varíola, o Brasil exerceu o mesmo papel contra o Sarampo, doença essa que havia sido controlada devido às fortes campanhas de vacinação feitas pelo Estado. Porém, o cresce número de pessoas anti vacinação, motivadas por publicações inglesas de um médico britânico chamado Andrew Wakefield que alegava que o medicamento poderia causar autismo nas crianças, fez com que a doença retornasse à sociedade após anos sobre controle. Por conseguinte, esse fato demonstra uma fragilidade do Estado tanto em educar as pessoas sob o papel da vacina, quanto em assegurar que a população tenha acesso à saúde.
Além disso, a Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro no início do século XX, foi motivada por populares que não queriam ser medicados pelo Estado porque a obrigatoriedade era uma invasão do espaço privado do corpo da pessoa. Entretanto, o problema foi solucionado após o governo regulamentar a Lei da Vacinação Obrigatória - regente até os dias atuais-, e por ensinar às pessoas que a vacina não causava problemas à saúde. Assim, fica claro que o Estado tem papel fundamental na defesa da qualidade de vida e na erradicação de adversidades que possam acometer a população, mesmo que para isso seja necessário violar o espaço de outrem; toda a sociedade se beneficia da erradicação de doenças potencialmente letais.
Portanto, é mister que o governo continue a tomar medidas para garantir o bem-estar dos brasileiros. O Ministério da Saúde deve propiciar campanhas de vacinação com centros de atendimento e médicos especializados, visando atender também as populações mais afastadas dos grandes centros urbanos. Em paralelo, o Ministério da Educação deve educar as pessoas nas escolas e em espaços públicos, com eventos e palestras sobre a importância da vacinação na prevenção de doenças. Por fim, com políticas públicas eficientes, o Estado terá chance de evitar que doenças já erradicadas possam retornar e ruir uma civilização, como o acontecido há mais de dois milênios na cidade de Atenas.