Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 22/10/2019
Na série ‘‘3%’’, para passar em um processo seletivo, os participantes precisaram aceitar um tipo de substância que funciona como vacina contra a fertilidade, tornando-os estéreis. Em dissonância com a ficção, no Brasil, os movimentos antivacina querem garantir que a prática não seja realizada. Tal fato ocorre pela falta de credibilidade das instituições públicas e deve ser analisado sob uma perspectiva de respeito às liberdades individuais.
Em primeira análise, destaca-se que o descrédito dos órgãos públicos alimenta os movimentos antivacina, pois, uma vez que não há confiança nas instituições em si, também não há nas políticas públicas provenientes delas, por mais benéficas que sejam. Isso ocorre porque desde o início da República, algumas propostas objetivavam melhorar a saúde geral com a vacinação obrigatória (como a Reforma Pereira Passos, por exemplo), mas foram feitas de maneira violenta, o que fomentou a desconfiança e a intensificação dos movimentos antivacina. Prova desse descrédito é exemplificada ao analisar os dados do Tribunal Superior Eleitoral, os quais mostram que 30% da população brasileira não escolheu nenhum dos candidatos presidenciais ou não compareceu às urnas em 2018. Desse modo, é possível afirmar que a falta de vacinação por uma parcela da sociedade brasileira é consequência da visão popular negativa acerca do poder público.
Evidentemente, a vacinação é importante para a imunidade do indivíduo, bem como para a saúde do coletivo, já que uma pessoa não vacinada pode atuar como um vetor de doenças e contagiar os outros. No entanto, mesmo com o risco de contaminação clarividente, é necessário que as liberdades individuais prevaleçam, pois, cada pessoa é um ser dotado de autonomia e responsabilidade e, desse modo, não é função do poder público agir sob vidas individuais tornando a vacinação obrigatória, mas sim incentivar a prática, haja vista o papel fundamental dela na prevenção de doenças.
Fica claro, portanto, que o movimento antivacina surge diante da desconfiança com as instituições e deve ser respeitado através da falta de obrigatoriedade, mesmo com estímulos governamentais favoráveis a vacinação. Assim, o Ministério da Saúde, responsável por administrar o bem-estar público no país, deve amenizar a crise de confiança nos órgãos governamentais dentro da respectiva área de atuação, além de incentivar ativamente a vacina. Isso pode ser feito por meio de palestras municipais com profissionais que trabalhem com a síntese de vacinas, de modo que seja esclarecido para a população como elas são feitas e qual a sua importância para a saúde individual e coletiva. Com essa medida, é possível mostrar a confiabilidade das políticas públicas de saúde e incentivar a vacinação concomitantemente, pois a fundamentalidade dela será visível.