Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 25/10/2019

Em sua obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas More descreve uma sociedade perfeita, na qual o tronco social é padronizado pela ausência da problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade é diametralmente oposto ao que prega o autor, visto que, a crescente resistência dos pais em vacinarem seus filhos apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização das ideias de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desinformação da população sobre o assunto, quanto da consequência disso para a saúde pública. Logo, é necessária a discussão acerca desses aspectos a fim de proporcionar o pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a resistência à vacinação deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tal recorrência. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade. No entanto, isso não ocorre no Brasil. Posto que, devido à falta de atuação das autoridades, muitos mitos e inverdades sobre os efeitos colaterais da vacina ainda circundam o imaginário popular. Essas informações são fundamentadas, principalmente, em estudos antigos que já foram desmentidos. Mas, ainda assim são utilizados para embasar teorias falhas, prejudiciais à saúde coletiva. Dessarte, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a consequência dessa resistência à vacinação à saúde pública em geral. Pois, segundo dados do Ministério da Saúde, doenças infectocontagiosas, principalmente as virais, que já foram erradicadas em outras partes do globo ainda têm casos registrados anualmente no Brasil. Partindo desse pressuposto, devido à própria natureza dessas doenças virais, existe o risco de uma contaminação em massa da população. Nesse sentido, a ignorância de alguns afeta a coletividade como um todo e contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Necessita-se então, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio dos Ministérios da Educação e da Saúde será revertido em ações educativas para os pais, através de palestras e exposições dentro do ambiente escolar e nos postos de saúde. Devendo-se abordar as consequências da não-vacinação, bem como desmentir informações erradas que já foram disseminadas à população. Não obstante, a fim de mitigar os danos à saúde pública, o Governo Federal deve atuar de forma a tornar obrigatória a vacinação contra doenças que afetem mais intensamente a coletividade. Dessa forma, atenuar-se-á, à medio e longo prazo, os efeitos nocivos da não-vacinação e a coletividade alcançará a Utopia de More.