Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 26/12/2020
Em 1904, no Rio de Janeiro, eclodiu a Revolta da Vacina, evidenciando o descaso do governo em relação à população desinformada. Todavia, atualmente é tanta informação que as notícias são deturpadas, e devido ao fanatismo religioso, as teorias da conspiração e à negligência da população, ainda se discute o tema: a vacinação deve ser obrigatória?
Primeiramente, é imprescindível salientar o papel da mídia nesta discussão. Conforme os filósofos da Grécia Antiga, “o ser humano tem a capacidade de aprender por imitação”, e devido à propagação das “fake news”, muitos são enganados e ainda ajudam a divulgar. Ademais, ainda existem muitas teorias da conspiração ligadas ao extremismo religioso , que ainda pregam que vacinas podem gerar autismo, ou até reduzir a população. Entretanto, o que ocorreu foi diferente. Como apontam os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa de vida em 1940 era pouco mais de 45 anos. Em 2015, subiu para 75, e um dos principais fatores responsáveis por isso: a vacinação.
Outrossim, como afirma o escritor Audous Huxley sobre um “sistema de escravatura onde os escravos amam a escravidão”, as consequências da desinformação e negligência são evidentes. Assim, doenças já erradicadas, como sarampo e poliomelite começam a aparecer novamente, ressaltando o dito da Organização Mundial da Saúde (OMS), que “a hesitação em se vacinar é uma das 10 maiores ameaças globais à saúde”. De acordo com Hans Jonas em seu livro “O Princípio da Responsabilidade”, um dos pilares para fundamentar a ética, é a responsabilidade, em suma, do Estado em educar a sociedade, e do cidadão em se conscientizar.
Fica evidente, portanto, que a vacinação deve ser obrigatória, mas por meio da educação e da conscientização. O Ministério da Saúde e o Poder Público deve, por meio de projetos sociais e coletivos, com profissionais da saúde, disponibilizar palestras e debates, em instituições de ensino e setores públicos, na finalizade de orientar a sociedade dos riscos de não se vacinar, com o apoio da mídia como difusora do conhecimento e da informação , defazendo mitos e conscientizando a população. Logo, os verdadeiros representantes do atraso em nosso país são aqueles que se pautam por visões preconceituosas e atrasadadas de progresso. Como afirma Hipócrates, um dos pais da medicina, “saúde não é tudo, mas tudo é nada sem saúde”.