Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 05/12/2020
Desrespeito contra a democracia, ou contra a vida?
O ano é 1352, Europa Ocidental, período da Peste Negra. A natureza evidencia, em sua maior e mais mortal aparição, o quão ínfimos os seres humanos são. A percepção do quão frágeis, indefesos e ingênuos somos foi o maior “presente” que esse pseudo-genocídio nos trouxe. Agora, mais de seis séculos depois, a humanidade enfrenta um oponente inexprimivelmente mais “dócil”, o Covid-19, e este é o principal escopo da ciência médica atual. Contudo, ainda que tenha menor taxa de mortalidade se comparado àquele vírus, estamos em estado de alerta, buscando encontrar meios de frear, ou mesmo eliminar, o atual “adversário”. E as vacinas são nossa principal arma contra este.
Todavia, as vacinas, que deveriam estar na vanguarda humana defronte o Covid e inumeráveis outras ameaças virais, estão sendo bombardeadas com fake News, discursos e movimentos que se opõem ao método da vacinação em massa. É um desrespeito com todo o ramo científico e com a saúde coletiva e sua manutenção, e vem aumentando de maneira assustadora desde o advento da internet. Mas, estariam os anti-vacinas corretos em “contradizer” especialistas? Em minha opinião, suas ações e discursos são risíveis. A imunização por vacinas protege o organismo de ataques letais, garantindo melhor condição e maior expectativa de vida a qualquer ser humano. Por tal, a imunização de rebanho, necessária para conter a pandemia de forma concreta, torna-se indispensável ao povo brasileiro e ao mundo como um todo. Ainda assim, para que seja efetivo, pelo menos 85% de toda a população deve se dispor (ou ser obrigada) a vacinar-se, realizando um ato em defesa da vida.
Porém, obrigando alguém a se imunizar, sendo que ela não quer que assim seja feito, fere uma das clausuras pétreas da Constituição brasileira, que é a garantia dos direitos individuais. Então, nesse beco sem óbvia saída, o que deve ser considerado é a prevalência da maioria. Sintetizando, sublinho que em um impasse tão crucial como esse, discutido neste artigo de opinião, deve ser escolhida a opção que “agradar” o maior número de pessoas. Eu votaria na obrigatoriedade judicial, pois assim asseguraríamos que a situação atual não se estenderia tanto quanto como seria sem a manutenção dos 85% antes citados, levando à volta da normalidade de modo controlado.
Entretanto, forçar alguém que vive em uma democracia é algo complexo e delicado. Conquanto, as vacinas devem ser impostas para que contornemos quaisquer ameaças à nossa sobrevivência (com ou sem a aprovação unânime), como ocorreu com a Grande Peste, e sua politização é dispensável por se tratar de algo que não deve ser relativizado, mas sim respeitado: o conhecimento da ciência.