Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 16/12/2020

Revolta da Vacina Plus

Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis, diz em suas ‘‘Mémorias Póstumas’’ que não teve filhos e portanto, não transmitiu a nenhum ser o legado de nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada a sua decisão: o autoritarismo aos moldes de uma ditadura frente à obrigatoriedade da vacina se mostra embobrecedora. Nesse viés, nota-se a necessidade de discussão sobre a temática, uma vez que é possível uma cobertura vacinal acompanhada de liberdade, sem o uso repudiavél de extremismos.

Em primeiro lugar, é importante salientar que o foco não deve ser obrigatoriedade mas sim em responsabilidade. Daí a relevãncia de se difundir o papel que a vacina implica no âmbito individual e coletivo, sendo também apresentada sua eficiência e níveis de segurança, para que o cidadão possa vir a ter sua decisão consciente. Dessa maneira, o conhecimento sobre essa ferramenta de prevenção de doenças deve ser expandida de forma a romper receios infundados e esclarecer sua importância, sempre se respaldando ao respeito à liberdade. Ademais, nenhum Ministério Mundial pode usar da opressão para estabelecer o correto ou não sobre a saúde do outro, se não o próprio dono de sua saúde.

Consoante, Carlos Drummond expôs em um de seus poemas que existem situações na vida que se comportam como uma pedra, ou seja, um empecilho. Assim, para remover tais obstáculos que impençam a vacinação livre e espontânea, o governo, mídia, artistas e intelectuais devem cooperar, preconizando a ampliação de adeptos, sem o uso de agressão à liberdade, através, por exemplo, da instrução sobre esse tipo de imunização, seja por meio de palestras e campanhas, a mídia cabe o incentivo e amplo debate, às figuras públicas podem ajudar na ascensão à causa, vide que em 1956 nos Estados Unidos a adesão à vacina para à poliomielite entre os adolescentes era de 0,6% e o cantor Elvis Presley ao aceitar se imunizar em frente as câmeras, essa adesão subiu para impressionantes 80%.

Fica nítido, assim, que a obrigatoriedade da vacina se mostra tirana se desviando das premissas básicas de uma sociedade democrática. Logo, a melhor maneira de se incentivar a aceitação é através do conhecimento e incentivo, por isso, o Estado, os meios de comunicação e personalidades públicas devem defender a vacina, porém, sempre respaldando-se no respeito a liberdade de escolha. Tais ações levam a uma sociedade consciente das consequências de suas decisões, criando assim, um legado no qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.