Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 06/01/2021
A Revolta da Vacina, ocorrida em 1904 durante a Primeira República do Brasil, marcou a reação da população contra a obrigatoriedade da vacinação, principalmente contra varíola, imposta pelo Governo sem diálogo prévio. Tal revolta histórica pode facilmente representar o sentimento de substancial parcela dos brasileiros no contexto atual, uma vez que é exatamente a falta de comunicação e a imposição que marca o cenário público de saúde na questão da imunização. Esse impasse tem como origem inegável a falta de conhecimento legítimo da população. Assim, entre os fatores que comprovam essa vicissitude, estão a alienação midiática e a objetificação do indivíduo.
A princípio, a alienação promovida pela mídia gera o incômodo com a obrigação de se vacinar. Isso ocorre porque o tecido social contemporâneo busca o comodismo na obtenção de informações, de modo a exercer um papel de receptor acrítico, tornando-se, com isso, vulnerável a conteúdos falsos e sem credibilidade acerca da vacina. Desse modo, essa passividade alicerça a formação de pessoas alienadas, que depositam credibilidade em fatos sem base científica e, com isso, criticam a validade da ação de imunizar. Esse contexto é identificado na “Sociedade do Espetáculo”, do filósofo francês Guy Debord, na qual as pessoas agem como espectadores no convívio social, já que é justamente essa postura que viabiliza informações de saúde infundadas obtidas sem qualquer esforço pessoal.
Além disso, a objetificação do indivíduo cristaliza o repúdio pelas vacinas. Isso advém da postura imediatista do atendimento de saúde, que busca simplesmente atender os usuários de forma rápida e mecânica sem, no entanto, considerar suas particularidades e anseios em relação à prevenção em saúde. Dessa forma, a ineficiência desse diálogo, exemplificada por ações mecânicas como a entrega de receituários sem orientação prévia, gera o receio nos pacientes em receber a vacina. Como consequência disso, ocorre a dúvida sobre a legitimidade da imunização e a vulnerabilidade à doenças evitáveis, como sarampo ou poliomielite.
Portanto, torna-se claro que a desinformação populacional é a origem do questionamento na obrigação de imunizar-se. Com isso, cabe ao Governo Federal criar o Plano Nacional de Imunização Informada. O Plano atuará a partir do Ministério da Saúde, que deve elaborar programas, nas redes de televisão aberta, sobre imunização, por meio da participação de médicos especialistas encarregados de esclarecer os efeitos, os mecanismos e os benefícios da substancia imunizadora, além de responder perguntas enviadas pelo público, a fim de mitigar a alienação midiática. Ademais, o Plano inclui a atuação das unidades de atendimento à saúde na promoção de um cuidado integral, com o intuito de combater a objetificação e, assim, a desinformação oriunda da Revolta de 1904.