Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 07/01/2021
O filme americano “Epidemia” retrata o esforço da comunidade científica na busca pelo macaco transmissor da patologia, a fim de que vacinas pudessem ser desenvovidas, garantido a perpetuação da vida humana, que encontrava-se sob severa ameaça. Para além da ficção, outrossim, cientistas dedicam-se à produção de imunizantes, levando em conta que esses são fundamentais para a contenção de doenças fatais, apesar da vacinação ser negligenciada por uma parcela significativa de brasileiros. Por isso, a prática deve ser obrigatória, mas não arbitrária, de modo que a população entenda que o ato define o bem estar social e não individual, e não comprometa os esforços do Estado com a difusão dos movimentos “antivacina”.
Diante da problemática, a obrigatoriedade da vacinação é benéfica para a sociedade, uma vez que a extinção de agentes patogênicos não depende apenas da existência de vacinas, mas também de sua aplicação em massa. Isso acontece, pois os vírus encontram-se em constante mutação, logo a parcela da população que opta pelo não uso dos imunizantes contribui para a modificação do microorganismo antes que esse seja extinto, de modo a possibilitar o início de uma uma nova epidemia. Desse modo, a saúde coletiva é comprometida em função de escolhas individuas, ilustrando a tese do sociólogo Émile Durkheim, que afirma que a sociedade comporta-se como um organismo vivo e, por conseguinte, se uma célula (indivíduo) for afetado todo o corpo é comprometido.
Não obstante, a imposição de vacinas, se feita de maneira autoritária, pode gerar efeitos contrários ao objetivo. Nesse sentido, a população ao ver seu direito de liberdade, previsto em constituição, sendo inflingido com o autoritarismo, sem ter acesso à informações transparentes acerca da importância e segurança da vacinação, vê o ato como antidemocrático. Logo, notícias falsas de oposição ao governo em relação à saúde são disseminadas, aumentando a resistência à prática. Destarte, o Brasil fica sujeito a ameaças do resurgimento de movimentos como a “revolta da vacina”, que assolaram o país no século XX , causando desordem e comprometendo a saúde pública.
Urge, portanto, a necessidade de que o Ministério da Saúde implemente, por meio de um projeto de lei a ser votado pelo poder legislativo, a vacinação obrigatória. No entanto, a nova lei a ser apresentada para os brasileiros deve vim atrelada à disseminação de informações acerca do funcionamento e importância da vacinação em massa, de maneira didática e acesível, por meio de propagandas a serem transmitidas no rádio e na televisão aberta, graças a parceria com o Ministério das Comunicações. Assim, será garantida a segurança na implementação dos imunizantes, de modo a possibilitar que o Brasil poupe diversas vidas pela extinção de epidemias, se distando do filme americano supracitado.