Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 05/01/2021

Em 1904, o Brasil presenciou a Revolta da Vacina, em que cidadãos do Rio de Janeiro foram às ruas para se manifestar contra a imposição da imunização à febre amarela. Mesmo que tal evento tenha ocorrido há mais de cem anos, ainda há um debate sobre a obrigatoriedade da vacinação em prol do cuidado com a saúde. Diante disso, é lícito destacar que é imperioso que a população se vacine em um sentido coletivo, mas para que isso ocorra, o país deve superar tanto a falta de informação sobre o significado de “obrigatoriedade” quanto a onda de negacionismo presente no território nacional.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a prevenção a doenças é importante e deve ser considerada como ato coletivo. Isso significa que cerca de 95% da população deve ser obrigatoriamente vacinada  para que a camada de imunização abranja até mesmo aqueles que não podem adquirir a defesa. A título de exemplo, pode-se citar a vacina contra a Covid-19, que causa reações alérgicas graves em determinados organismos, e por isso não pode ser aplicada neles. Nessa perspectiva, se a maior parte da população obtiver o tratamento, até mesmo aquela que não obteve estaria segura, pois o vírus não circularia em regiões majoritariamente protegidas. Daí a importância de que se pense na vacinação como um ato coletivo e obrigatório.

Todavia, muitos sujeitos acreditam que a obrigatoriedade indica um ato à força, ou seja, assim como foi na Revolta da Vacina, os médicos teriam permissão de invadir as casas da população e impor todos a se vacinarem. Na verdade, a indispensabilidade da imunização se refere à necessidade de que todos adquirem-na desde que não haja reações biológicas e que não coloque a vida de alguém em risco. Ademais, boa parte dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro negam o uso da vacina por questões políticas, pois afirmam que ela é perigosa por ter vindo de um país “não aliado”, mesmo que o produto em questão tenha sido aprovado por entidades internacionais. Então, nota-se como é preciso educar a população acerca da imunização, para que seja possível obter um alto índice de prevenidos.

Portanto, em frente a esses fatores, medidas devem ser tomadas para amenizar o impasse. A fim de que o povo entenda a importância da obrigatoriedade da prevenção em prol da saúde do país como um todo, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas públicas educativas, introduzir métodos eficazes de conscientização. Isso deve ser feito por meio de investimentos em campanhas de vacinação e amplo debate entre famílias e estados. Apenas dessa maneira a porcentagem necessária de imunizados vai ser alcançada, garantindo informação, segurança e saúde para mais de 95% dos brasileiros. Com isso, enfim, será possível evitar cenários como o de 1904, e o Brasil se tornará um lugar progressista, em vez de negacionista.