Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 05/01/2021
A música “O tempo não para”, do célebre poeta Cazuza, aborda a circularidade do tempo, uma vez que o passado está condicionado a repetir-se no futuro. Nesse mesmo sentido, evidencia-se a dificuldade com relação à vacinação dos brasileiros, tal qual a ocorrida em 1904, durante a Revolta da Vacina, o que tornou clara a obrigatoriedade dessa. Corroborando com isso, o advento das mídias e a polarização da discussão com relação aos meios de imunização e notícias falsas, somado ao advento dos movimentos anticiência, colocam em pauta a imposição da medida sanitária.
Em primeiro plano, pode-se afirmar que o aumento no índice de discussão a respeito da imunização obrigatória, pelas redes sociais, têm mostrado posições contrárias e favoráveis a mesma. De acordo com a pesquisa realizada pela Unicamp, cerca de 34% da população brasileira não fará uso da vacina contra a Covid-19, que vem assolando o mundo, em virtude da leitura de uma notícia falsa veiculada nos meios de comunicação social. Assim, fica evidente que os movimentos contra a obrigatoriedade da vacinação crescerão, dada a desconfiança da população quanto à eficácia do meio sanitizador. Nesse ínterim, é preciso que a população esteja ciente de que esses métodos não causam problemas à saúde do cidadão, de modo que programas como os citados não precisem ser obrigatórios, mas voluntários.
Outrossim, os movimentos de anticiência registrados pelo país fazem com que a população desacredite cada vez mais em pesquisas e direcionam-se ao senso comum. O estudo realizado pela revista “Ciência Hoje” evidencia que apenas 13% da população brasileira recorda de uma organização que realiza pesquisas voltadas ao estudo científico. Diante disso, movimentos anti vacinas têm alterado significativamente o uso do imunizante, que através da disseminação de informações falsas, na internet, tem gerado o negligenciamento de grupos quanto ao ato de vacinar, preocupando os órgãos responsáveis haja vista que, além de haver o risco individual, há para toda a comunidade e até para dimensões nacionais.
É, portanto, evidente que medidas precisam ser tomadas para a resolução da problemática. A priori, é necessário que o Supremo Tribunal Federal torne obrigatória a administração da vacina a toda população, quando sua eficácia for comprovada. A longo prazo, é indiscustível a necessidade de tornar esse evento voluntário. Por conseguinte, é preciso que o Ministério da Saúde junte-se ao Ministério da Educação, com a criação da cartilha “Vacinar e viver”, a ser distribuída em todas as escolas do país, com fim de trazer aos alunos todo o movimento por trás da aplicação de uma vacina e garantir que os movimentos anti ciência sejam confrontados com provas científicas. Somente assim o futuro não mais será condicionado pelo passado e venceremos problemas do século passado.