Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 06/01/2021

Durante o mandato de Rodrigues Alves, em 1904, ocorreu a chamada “Revolta da Vacina”, evento no qual a população do Rio de Janeiro se recusou a se vacinar contra a varíola. Nesse contexto, percebe-se que a ignorância populacional acerca dos avanços científicos da época, atrelada à violência policial que foi imposta à sociedade, justificam tal recusa. No entanto, contemporaneamente, apesar de inúmeras comprovações científicas no que tange à eficacia e ao funcionamento da vacina, ainda levanta-se o debate sobre sua obrigatoriedade, o que coloca em risco a saúde pública. Assim, medidas são necessárias para reverter esse quadro.

Por certo, vale ressaltar que, segundo o filósofo Imannuel Kant, muitos erros derivam da ignorância humana. Conforme o pensador iluminista, o homem deixa sua “menoridade” ao obter esclarecimento e usar seu conhecimento autonomamente. Entretanto, diversas anomalias comportamentais de parte da população vão de encontro a esse postulado filosófico, como a desconfiança em relação às vacinas. Não é raro observar, por exemplo, o crescimento do movimento “antivacina”, o qual ganhou força com as “fake news” circulantes na internet sobre o tema. Tal problemática é deveras preocupante no contexto da pandemia do Covid-19, uma vez que é questão de saúde pública a vacinação de todos.

Nesse viés, diversas são as consequências oriundas da não obrigatoriedade das vacinas. Passível de citação encontra-se a dificuldade de se diminuir a incidência ou até mesmo de se erradicar doenças para as quais já existem vacinas. Isso ocorre pois, ao tornar restrito o grupo de vacinados, o agente infeccioso pode contaminar aqueles que não foram e sofrer mutações dentro de suas células, “evoluindo” a doença e possibilitando a ocorrência de sua circulação em toda a população.

Portanto, tornam-se imprescindíveis amplas ações sociais a fim de se compreender que a obrigatoriedade da vacinação é questão de saúde pública. Para isso, as escolas devem auxiliar os alunos, ação exequível mediante aulas de biologia, nas quais profundamente se aprenda o comportamento do vírus no corpo e o papel da vacina na interrupção de seu ciclo, com a intenção de se criar uma geração consciente da importância de se vacinar. Ademais, cabe ao governo amparar a sociedade, lançando campanhas, divulgadas na televisão - a qual possui amplo alcance populacional-, em prol da vacinação a todos, desmestificando, por meio de entrevistas com especialistas, notícias falsas acerca dessa imunidade ativa, com o fito de levar informações corretas à população. Se assim feito, poder-se-á obter uma sociedade mais esclarecida, como proposto por Kant.