Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 08/01/2021

No ano de 1904, na cidade do Rio de Janeiro, aconteceu a “Revolta da Vacina”, causada pela campanha desastrosa do governo na época, que não comunicou a população sobre os benefícios da vacinação, e a introduziu de maneira forçada no povo, que se rebelou, ocasionado diversos conflitos. Na contemporaneidade brasileira, persistem discussões acerca das vacinas e a sua obrigatoriedade, o que gera muitos impasses. Tal cenário é fruto não só de problemas sociais, mas também da inércia governamental.

Primeiramente, é imperioso destacar o aspecto social desse imbróglio. No livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, o autor demonstra, por meio da mudança comportamental dos personagens, como o ambiente exerce influência sobre as atitudes individuais e coletivas. Assim sendo, ao trazer esse raciocínio à luz da sociedade brasileira, altamente polarizada, que coloca em dúvida questões básicas como, por exemplo, a existência de uma Ditadura Militar no passado, constrói-se um terreno fértilpara colocar em xeque o funcionamento das vacinas e os seus benefícios, acarretando em indivíduos que decidam por não se vacinar voluntariamente, o que coloca em risco a saúde da população, pois dificulta o combate à doenças, o que não deve ocorrer.

Outrossim, irrefutavelmente a ineficácia governamental possui culpa nesse problema. A Constituição Federal de 1988 defende, como fundamental, a proteção sanitária dos brasileiros, o que serviu como base para a criação do SUS. Sem embargo, a insuficiência de campanhas claras sobre a vacinação, coloca em risco esse fundamento constitucional, já que evasão de pessoas contra a vacinação piora a saúde dos cidadãos brasileiros  com mais doenças circulando sem enfrentamento. A falta de clareza sobre as vacinas já trouxe problemas ao país, dessa forma, vê-se necessário impedir que isso ocorra novamente.

Depreende-se, portanto, ser mister intervenções que que mitiguem discussões sobre a obrigatoriedade da vacinação. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação, aliado às Secretarias Estaduais de Educação, poderia promover palestras, aulas e debates em escolas públicas e privadas, debatendo e ensinando, para jovens e adultos, a importância da vacinação, valorizando, assim, o uso dessa invenção tão importante à saúde nacional e mundial. Ademais, o Governo Federal financiaria campanhas em TV, rádio e internet, incentivando a vacinação, explicando de maneira clara e objetiva o seu funcionamento, o que acalmaria os ânimos e diminuiria dúvidas e inseguranças. Com a implementação de tais medidas, a questão seria combatida, e saúde nacional de todos os brasileiros, melhorada.