Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 16/01/2021

Ná década de 1960, a Organização Mundial da Saúde (ONU) promoveu, em conjunto com diversas nações, a vacinação em massa contra a varíola, que matou meio bilhão de pessoas, até o último caso registrado em 1977. Na atual realidade brasileira, o ressurgimento de doenças consideradas erradicadas coloca em pauta o debate sobre a obrigatoriedade da vacinação, de maneira democrática e respeitosa. Nessa perspectiva, dois fatores devem ser analisados: o crescimento do movimento antivacina e a precarização dos serviços públicos de saúde.

Em primeiro plano, é vultuoso salientar o papel dos movimentos antivacina no regresso do direito à saúde pública. Segundo o oncologista Drauzio Varella, o movimento antivacinação é uma ameaça a espécie humana, que reúne grupos que conspiram sob teorias sem quaisquer comprovações científicas. Essa parcela é responsável pela propagação da desinformação, principalmente nas mídias sociais, de modo a influenciar cibernautas de efeitos colaterais extremos ocasionados pelas vacinas. Assim, o processo de imunização, fundamental para a perpetuação do bem-estar da nação brasileira, tido pela Constituição de 1988 como direito básico, sofre um lamentável regresso. Logo, as camadas mais vulneráveis e passíveis de alienação sofrem com a falta de memória imunológica.

Em segunda análise, é válido ressaltar a negligência governamental como fundamental na precarização da saúde preventiva. Em 1904, a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro, expos o papel antidemocrático que o Estado atribuiu ao processo de imunização. Análogo à esse fato histórico, o atual descaso do governo, no que tange à garantia dos serviços de saúde pública, corrobora para o aumento de doenças infecciosas. Tal abordagem é comprovada pela divulgação de dados do Ministério da Saúde, que apontaram cerca de oito mil casos de sarampo na região Norte. Assim, o desabastecimento de vacinas essenciais, e municípios com menos recursos para gerir programas de imunização contribuem para o avanço da problemática, além de evidenciar o caráter urgente da ação estatal.

Portanto, é mister a criação de metodologias que visem revelar os benefícios da vacinação no país. O Estado, representado pelo Ministério da Saúde em aliança com o Ministério da Educação e Cultura, deve promover a melhoria do sistema público de saúde, por meio de investimentos direcionados às unidades básicas e à campanhas impactantes de vacinação, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de imunização, garantindo, assim, que todas as comunidades sejam contempladas. Além disso, prefeituras devem criar um projeto voltado para a aproximação entre as famílias e as instituições de saúde, com a participação de profissionais da área, a fim de elucidar sobre os efeitos positivos da vacinação infantil. Assim, o corpo social idealizado por Durkheim estará plenamente saudável.