Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 11/01/2021

Em 1904, a política antivariólica causou a Revolta da Vacina no país. Dessa época para cá, vê-se que, por desconfiança, há queda na cobertura vacinal. Ainda assim, os imunizantes não devem ser obrigatórios porque, primeiro, seriam simbolizados como uma violência; segundo, há, enquanto alternativas, tecnologias linguísticas eficazes de convencimento populacional. Deve-se, pois, enfrentar esse problema brasileiro com ética.

Acerca disso, sem a conscietização da importância do uso de imunobiológicos, esses são concebidos como uma violência ao corpo. De fato, negligenciar a internalização pública da importância de vacinar-se transforma esse cuidado em ato agressivo. Além disso, tal é contrário à Política Nacional de Humanização do SUS, cuja preconização é tratar o outro de modo holístico e não como um mero corpo. Logo, não há que se obrigar às vacinas e sim as valorizar perante a subjetividade pública.

Outrossim, há  tecnologias de discurso que, para disciplinar o povo, podem, afim de melhorar a cobertura vacinal, ser usadas. Sobre isso, Michel Foucault, filósofo francês, defende que normas disciplinares são capazes de, sutilmente, construir-se, por meio da interação social, na cultura. Concernente a isso, um cidadão, exposto à campanhas publicitárias convidando-o a imunizar-se, sendo bem acolhido nas unidade saúde, onde para cujas dúvidas obteve esclarecimento, torna-se agente múltiplicador da importância do cuidado vacinal. Assim, existem outros meios, mais eficazes que o ato de impor, para resolver a questão.

Dessarte, fica claro que a vacinação não deve ser imposta, pois há alternativas éticas para convencimento populacional. Portanto, isso será resolvido deste modo: o Ministério da Saúde intensificará as campanhas de imunização; para isso, licitará empresas de publicidade, essas atuarão em mídia de TV e Internet; será sistematizado, por meio de Instruções Normativas, recomendações para a abordagem comunicativa entre profissionais de saúde e público visando o interesse vacinal. Haver-se-á, com isso, população mais saudável e maior aceitação dos imunizantes.