Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 12/01/2021
No ano de 2020, houve amplo espaço para o debate sobre a vacinação diante da pandemia pelo novo coronavírus. Isso se deu por, além do agravante situacional, haver uma corrente antivacinação, infundada cientificamente, percorrendo todo o mundo. Diante disto, é necessário observar a forma como as disputas políticas e o descrédito à ciência têm afetado o debate e a prática da saúde pública no Brasil.
Primeiramente, deve-se entender a gravidade da partidarização do debate sobre o cumprimento de campanhas públicas de saúde. Isto advém da disputa por hegemonia, e da banalização das tarefas intrínsecas aos cargos do executivo. Por isto, é possível notar a politização de pautas que se dão no campo da saúde e da ciência, e portanto deveriam ser apuradas por profissionais especializados, e não postas em debates por puro mantimento de poderio. Exemplo claro disto ocorreu ao longo de 2020 no Ministério da Saúde brasileiro, em que o cargo de gerenciamento da saúde da federação passou por 3 ministros e esteve vaga por quase 1 mês, por conta da grande dificuldade de os profissionais da saúde no cargo acatarem pedidos políticos danosos ao gerenciamento de uma pandemia.
Concomitantemente, a banalização da prática científica é grande influenciadora nos cuidados à saúde. É evidente que a ausência de regulamentação e punição a discursos danosos, gera esta situação. Além disto, há as redes sociais, onde normas para os discursos esbarram na possibilidade de censura, e as informações se veiculam em velocidade recorde. Isto se reflete em uma sociedade que recebe inúmeras informações, e é desprovida de educação para a confirmação de veracidade das mesmas. Um exemplo, foram os debates recentes sobre o uso da substância Hidroxicloroquina no Brasil, que passou por análise de agências nacionais e internacionais que confirmaram sua ineficácia para o novo coronavírus, e mesmo assim foi defendida por diversos indivíduos e representantes políticos.
Por fim, é necessária a obrigatoriedade da vacinação no Brasil, já que a saúde é um direito garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e existem riscos ao cumprimento deste direito na atualidade. Diante disto, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, devem promover um reforço nas campanhas de vacinação, com enfoque na demonstração da eficácia, no combate às informações inverídicas e na necessidade de imunização de grupo para que se erradique doenças. Desta forma, com adesão às campanhas, não serão necessárias medidas impositivas mais fortes, para além das restrições à ambientes, já vigentes, diante de não apresentação de carteira de vacinação. Assim, as inovações médico-científicas auxiliarão na saúde brasileira permanentemente.