Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 11/01/2021
Saúde e informação, direito de todos
Diante do aumento de movimentos antivacinas no Brasil e no mundo, doenças que antes eram controladas, como o sarampo e a poliomelite, voltam a ameaçar a saúde pública. Esse fato coloca a facultabilidade das vacinas em questão, podendo essa ser um agravante do atual cenário. Entretando, tornar vacinas obrigatórias não resolveria o cerne do movimento antivacinas, que é a falta de informação. Ou seja, os movimentos antivacinas podem ser combatidos com conscientização e a não obrigatoriedade da vacinação pode ser mantida.
As pessoas adeptas aos movimentos antivacinas contemporâneos temem efeitos colaterais indesejados e espalham informações falsas sobre um malefício inexistente ou superestimado da vacinação. Porém, elas não têm conhecimento do papel social das vacinas, que salvam a vida de milhares de pessoas no mundo, além de, muitas vezes, não saberem que mesmo as doenças controladas ainda têm seus antígenos circulantes, sendo um risco à saúde de pessoas que não se imunizam. Nesse contexto, tornar a vacinação obrigatória geraria um grande descontentamento e possível revolta nesse grupo de pessoas, como aconteceu no início do século passado na Revolta da Vacina contra a imposição da imunização para a varíola, hoje erradicada graças à vacinação.
Além disso, apesar da vacinação ser um ato coletivo por diminuir riscos da população como um todo se contaminar e, possivelmente, exterminar um patógeno do globo, o ato de receber a vacina continua sendo relativamente invasivo por injetar uma substância externa no indivíduo. Dessa forma, tornar este procedimento obrigatório não condiz com o discurso progressista, tão valorizado na atual sociedade, de autonomia e decisão sobre o próprio corpo, não sendo esta a forma mais moral de aumentar a taxa de vacinações.
Por estes aspectos, combater os movimentos antivacinas deve ser um objetivo das instituições públicas, de saúde e de educação e este combate deve ser feito com o objetivo de desmistificar informações falsas e aumentar a consientização da população acerca da importância das vacinas e ao alto risco de exposição que pessoas não imunizadas estão sujeitas. Isso pode ser alcançado pela identificação e punição de criadores e disseminadores de “fake news”; de maior difusão e acesso de conhecimento embasado em resultados científicos que comprovem a eficácia e segurança das vacinas, por meio de mídias, redes sociais e de palestras de conscientização em escolas, empresas, instituições, etc. Além disso, o de reforço nas campanhas de vacinação do SUS mesmo das doenças já controladas, previne que elas se tornem negligenciadas e voltem a ser disseminadas.