Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 12/01/2021

De acordo com Aristóteles, “a base da sociedade é a justiça”. Não obstante, as recorrentes dificuldades encontradas para que os brasileiros compreendam a importância da vacinação revelam-se como uma injustiça, haja vista que, majoritariamente, indivíduos sem informações são influenciados a conhecer apenas um lado dos efeitos do imunizante. Com isso, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da má influência midiática e do legado histórico.

Em primeiro plano, pode-se apontar a divergente participação da mídia como um empecilho à consolidação do conhecimento da importância das vacinas. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. No entanto, a mídia, em vez de aumentar o nível de informação da população, auxilia na negligência das pessoas, uma vez que é constantemente divulgado nas redes cometários sem compravações científicas no que tange aos possíveis efeitos do imunizante. Nessa perspectiva, obseva-se como exemplo o comentário do presidente brasileiro Jair Messias Bolsonaro, o qual comparava os danos colaterais da vacina do Covid-19 a uma possível transformação a um jacaré. Assim, indivíduos que vêem o presidente como um “salvador” começam a negligenciar que a vacina é uma questão de saúde pública, com essa ótica, a obrigatoriedade do imunizante pode ser uma solução para amenizar esse grande “erro” de Bolsonaro.

Outrossim, a história do Brasil ainda é um grave entrave para a resolução da questão. Segundo Claude Lévi-Strauss, só é possível compreender uma sociedade atual estudando o seu passado. Nesse sentido, faz-se importante romper com as raizes da antiguidade, haja vista que, desde épocas passadas, os institutos escolares vêm diminuindo a criticidade dos alunos, pois está valorizando apenas um currículo conteudista, e isso gera pessoas alienadas. Analogamente, no mundo hodierno, as escolas são literalmente voltada apenas para vestibulares, deixando de lado muitas vezes assuntos de suma importância como o conhecimento sobre todo o processo das vacinas. Assim, as pessoas tornam-se, cada vez mais, pouco “autonômas”, e isso corrobora para facéis indunções ao erro.

Urge, portanto, a necessidade do conhecimento sobre a importância do imunizante. Para tal, faz-se peremptório que o Ministério da Educação, órgão que regula a educação em âmbito nacional, através do Programa Nacional do Livro Didático, atualize os livros de história e demonstrem aos alunos a alienação gerada pelos currículos escolares passados. Desse modo, objetiva-se que as pessoas tomem consciência do erro, as quais estão sendo induzidas, e passem a crescer intelectualmente, para assim, usufruir das vacinas, e que passem o conhecimento a todos os familiares. Destarte, a justiça que preconizava Aristóteles poderá se concretizar.