Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?
Enviada em 15/01/2021
Albert Sabin, pesquisador americano, em um dos momentos de altruísmo mais significativos do último século abriu mão da patente da vacina de poliomielite facilitando a imunização de milhões de crianças ao redor do mundo. Não obstante, os dias atuais são marcados pela pressão do movimento antivacinas disposto a contestar a obrigação da vacinação mesmo diante de graves riscos a saúde. Nesse sentido, convém analisar tanto a real origem do crescimento desse questionamento do senso comum, quanto a falsa crença de que para que a liberdade seja respeitada ela precisa ser ilimitada.
Em primeiro plano, o movimento antivacinação tem ganhado força no âmbito virtual e gerado consequências que colocam a cobertura vacinal brasileira em risco. Em vista disso, a escritora Eula Biss explica - em seu livro “Imunidade” - que os maiores sites dedicados a propagação de fake news sobre vacinas são financiados por empresas que vendem produtos com uma falsa equivalência. Assim, o movimento que busca a contestação da obrigatoriedade das estratégias de imunizaçãos não é uma expressão espontânea da vontade da população, mas sim uma reação produzida sistematicamente visando o lucro de empresas escusas.
Outrossim, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, definiu a liberdade com um direto essencial para a dignidade individual de cada um. Ao contrário do que se pode pensar, esse direito não representa uma concessão ao livre-arbítro irrestrito, visto que a liberdade individual deve ser limitada em prol do bem-estar coletivo. Dessa maneira, é evidente que a decição pessoal contra a vacinação coloca a imunidade de rebalho em xeque, e torna-se, assim, um problema de saúde pública. Dessa forma, é indispensável que poder público crie medidas que antagonizem essa problemática.
Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Saúde em parceria com a escola desenvolva um projeto de educação e fiscalização da comunidade, por meio de palestras ministradas por médicos locais com país e responsáveis. Essas palestras devem abordar temas como a importância da imunização além de um manual para verificação de notícias falsas. Além disso, a escola também pode contribuir exigindo o cartão de vacinção atualizado no momento da matrícula. Espera-se, com isso, não apenas aumentar a taxa de indivíduos vacinados, como também ir ao encontro do legado deixado por Sabin no que tange à imunização.