Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 20/09/2021

Segundo o filósofo francês Jean-Paul Sartre, os seres humanos, uma vez indivíduos, são inteiramente responsáveis pelas suas ações. Desse modo, a liberdade transformar-se-ia em uma responsabilidade, a qual todos teriam que aprender a lidar e a aceitar. Em paralelo, observa-se no Brasil uma discussão a respeito da obrigatoriedade do ato de vacinar-se, e enquanto alguns afirmam que a liberdade de escolha é mais importante, outros dizem que a segurança e saúde da população como um todo deve prevalecer. Assim, nota-se que a escolha pela vacinação, bem como pela não-vacinação, tem um impacto direto e significativo na sociedade, uma vez que o ato de não se vacinar causaria problemas os quais não apenas se transformaria em uma responsabilidade individual, mas também da Saúde Pública.

No período de urbanização brasileira – início do século XX – ocorreu no país uma das maiores revoltas nacionais: a Revolta da Vacina, durante a qual a população protestou firmemente contra a vacinação obrigatória. Dentre outros fatores, um dos problemas originários desse conflito foi a falta de informação, de esclarecimento e de debate do Estado para com o povo a respeito da importância e da eficiência da imunização – uma vez que aquele pretendia erradicar os principais problemas de saúde da época, mas impôs sua vontade a esse sem nenhuma explicação prévia e válida. Logo, o papel do governo como lecionador do povo tem importância fundamental para quebrar o estigma ligado a vacinação na sociedade brasileira.

Ademais, vale ressaltar que os participantes de “grupos antivacinas” geram consequências não apenas para os outros cidadãos, como também para os menores de idade que podem estar sob suas guardas legais. Dessa forma, esses – que não possuem discernimento suficiente para decidir por conta própria a respeito da aplicação das injeções preventivas – têm suas saúdes e suas vidas postas em risco ao ficarem à mercê do desejo individual e subjetivo dos responsáveis, uma vez que, cada escolha de cunho individualista tem o potencial de impactar de maneira negativa todo o conjunto da sociedade e carrega uma grande responsabilidade, que também se torna do governo.

Assim sendo, é dever mister do Estado garantir por meio de políticas e de campanhas instrutivas administradas pelo Ministério da Saúde a conscientização devida dos cidadãos brasileiros, visando mostrar de maneira objetiva e clara a importância da vacinação, e como os riscos de não se vacinar são maiores que os riscos da atitude contrária. Ao realizar, portanto, propagandas periódicas nas mídias, principalmente televisiva, bem como ao expor no site oficial do respectivo Ministério dados técnicos informativos sobre a produção de vacinas, os seus efeitos colaterais e os seus benefícios, diminuir-se-á o receio que os cidadãos aparentam ter da prática.