Debate acerca da educação no campo e de seus desafios
Enviada em 28/06/2025
A população rural no Brasil corresponde a 25,6 milhões de pessoas, de acordo com o Censo Demográfico de 2022. Dentre essa parcela, o índice de abandono no Ensi-no Médio é 20% maior que dentre os estudantes nas áreas urbanas, conforme a pesquisa “Educação do Campo em Dados”. Tal estatística demonstra a defasagem do ensino nas zonas rurais do país, que enfrenta desafios de natureza infraestrutu-ral, ética e política.
Em primeiro lugar, ao adentrar o contexto educacional nessa áreas, é importante salientar os obstáculos que circundam o acesso a escolas e universidades. A esse respeito destaca-se o problema do transporte, uma vez que em períodos de chuva a formação de lama nas estradas de terra pode impedir os deslocamentos por falta de um veículo apropriado. Outros impasses são a falta de água encanada e energia elétrica regulares. Para além de susperar esses fatores básicos do funcionamento infraestrutural das instalações escolares, é crucial pensar a questão do trabalho, i-niciado, em geral, na infância e sustentado por uma sólida cultura hereditária.
Por consequência dessa vivência tradicional fielmente vinculada ao trabalho, é ne-cessário um modelo pedagógico que dialogue com essa realidade e capaz de ven-cer a evasão escolar e a ausência de perspectiva sobre os estudos. Para isso, deve- -se aliar o conhecimento teórico científico à linguagem e às demandas do campo, como forma de aproximar o habitante rural do contexto acadêmico. Ao mesmo tempo, é fundamental que a educação não se restrinja a um fim pragmático e utili-tarista, isto é, seja apenas uma ferramenta para aprimorar o trabalho e o rendi-mento da produção agrária. Nesse sentido, o estudo deve cumprir principalmente o papel emancipador dos cidadãos rurais, buscando o questionamento e o entendi-mento críticos sobre a realidade, tratando o campo como espaço de formação, e não somente como espaço de exploração de mão de obra e matéria-prima.
Em suma, com o intuito de superar o desfalque no ensino da população rural, o Ministério da Educação deve elaborar um currículo especializado para essa parcela de estudantes e implantá-lo por meio de um ajuste na Base Nacional Comum Curri-cular. Esse novo modelo deve focalizar tanto a identidade camponesa e seus sabe-res tradicionais, quanto a ampliação da zona de conhecimento dessas pessoas.