Debate acerca da educação no campo e de seus desafios

Enviada em 24/07/2025

A Constituição Federal de 1988 prevê que a educação é um direito social garantido pelo Estado para todos os cidadãos. Todavia, é notório que a população do campo ainda enfrenta dificuldades no acesso pleno à educação, o que evidencia a desigualdade de acessibilidade a tal direito. Desse modo, é importante entender de que forma fatores governamentais e estruturais contribuem para a problemática que atinge a população rural.

Primeiramente, vale destacar que a negligência governamental é uma das principais causas que dificultam o acesso à educação por parte da população rural. Sabe- se que a Internet é, atualmente, uma das principais fontes de informação e conhecimento. Porém, de acordo com dados apresentados pelo G1, apenas 8% das escolas do campo possuem banda larga. Em contrapartida, 74% das escolas nas cidades apresentam essa característica. Sob esse viés, fica nítido que o governo brasileiro não investe em Interent nas escolas públicas rurais da mesma forma que investe em escolas de áreas urbanas. Consequentemente, as discrepâncias no acesso ao conhecimento e à informação, entre meio urbano e rural, são ampliadas.

Ademais, a educação no campo não atende as necessidades da população rural. A chamada “educação bancária”, conceito apresentado pelo pedagogo Paulo Freire, é baseada no protagonismo do professor, que apenas “deposita” o conhecimento sobre o aluno de forma mecanizada e pouco participativa. No contexto rural, tal forma de organização educacional torna cidadãos pouco críticos no que diz respeito à sua realidade social. Como consequência, o conformismo causado se torna um entrave nas lutas por direitos e no fortalecimento da identidade coletiva dessa parcela da população.

Portanto, fica claro que a falta de investimento do governo e a educação bancária são desafios enfrentados pela educação no campo. Sob este viés, cabe ao Ministério da Educação, um dos principais agentes de gestão da educação, intensificar os investimentos em Internet nas escolas públicas, por meio de parcerias com empresas privadas em troca de isenções fiscais. Também é necessário que o corpo docente das escolas rurais estimule o pensamento crítico dos alunos. Dessa forma, teremos um ensino mais democrático em áreas rurais.