Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/08/2020
No livro ‘‘O ceifador’’, é mostrado um ambiente ultramoderno onda todas as pessoas tem seus dados expostos e suas informações pessoais podem ser usadas para por fim em suas vidas. Contudo, não é somente na ficção que atos dessa natureza se perpetuam, visto que a cultura do cancelamento se assemelha bastante a essa prática, dado que, ambas podem desestruturar ou por em risco a vida de uma pessoa com apenas uma notícia, seja ela verdadeira ou falsa. Desse modo, cabe debater quais fatores corroboram para a permanência dessa ação e quais medidas devem ser tomadas para amenizar esse quadro de perseguição digital e física.
De início, vale ressaltar que, de acordo com o sociólogo, Theodor Adorno, com a consolidação do capitalismo tanto o jornalismo como as artes passaram a ter o lucro como único objetivo. Ademais, este pressuposto pode ser comprovado ao se observar os ‘‘clickbaits’’ (sites com informações bombásticas, mas que comumente não apresentam compromisso com os fatos) além do caso do ‘‘youtuber’’, Maicon Küster, que teve sua imagem vazada pela rede record, que o associava a um estuprador sem verificar se ele realmente era o culpado. dessarte, apesar da vítima posteriormente ser inocentada e receber um pedido de desculpas da própria emissora, ficou claro que tais ações não podem se repetir, haja vista a seriedade do assunto e os riscos ao qual os envolvidos são expostos.
Em segundo lugar, deve-se destacar que para o filósofo, sócrates, uma sociedade coesa é aquela na qual os cidadãos questionam e buscam a verdade. Entretanto, nem todos os brasileiros estão cientes desse ideologia, esse fato pode ser verificado ao analisar a página de notícias, Correio Braziliense, que mostra que as ‘‘fake news’’(informações falsas), costumam ser espalhadas até 70% mais rápido que os assuntos imparciais e verificados. Destarte, ainda segundo o portal susodito isso se dá pela falta de conscientização social e pela grande quantidade de indivíduos que não estão habituados a ter de verificar o que lhes é dito.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao Ministério das Comunicações criar punições adequadas para recair sobre instituições que disseminem notícias equivocadas, em especial grandes emissoras, posto que sua repercussão é maior, além disso, também é necessário elaborar campanhas para preparar os brasileiros para detectarem as ‘‘fake news’’. Isso pode ser feito por meio da aplicação de leis junto com o concebimento de um algoritmo capaz de detectar e punir os infratores que desinformem, seja por descaso ou intencionalmente, e o dinheiro que for arrecadado pode ser utilizado para pagar propagandas que estimulem o senso crítico. Dessa maneira, será possível amenizar esse prática, além de evitar que mais situações como essa se repitam.