Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/09/2020

A iniciativa de trazer à tona atos ilegais para que o combate ganhe força não apresenta nenhum malefício extremo. Em contrapartida, a denominada “cultura do cancelamento” tornou-se uma forma de dar voz, principalmente para minorias, mas que não leva em consideração a mudança pessoal, o tempo do ocorrido ou os efeitos que gera. Tal forma de punição é feita, em sua maioria, no meio tecnológico, ou seja, uma vez cancelado, nunca mais esquecido. Por razões de ser uma maneira de esconder preconceitos internos e expressar a intolerância, a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea precisar ser “cancelada”.

Como supracitado, essa forma de repreensão serve como camuflagem de opiniões dos “canceladores”. A constante procura por falhas alheias apenas intensifica uma competitividade social que desencadeia em violência e distúrbios mentais, informado pela psicóloga Marcia Correa. Conforme a UFRJ, nem mesmo o “neutro” é aceito no corpo social, ou seja, reforça que a cultura que foi iniciada para auxiliar é utilizada para causar o mal e a polêmica. Segundo o Guia do Estudante, as pessoas que praticam o ato de cancelar apresentam como objetivo reconhecer como outros reagiriam aos erros e discursos de ódios presentes internamente, assim podendo criticar o que pratica fora das redes sociais. Dessa forma, o pensamento de Nietzsche encaixa perfeitamente, uma vez que para mostrar que são bons cordeiros, necessitam apontar os defeitos dos outros ao invés de auxiliar na mudança.

Outrossim, a ausência de entendimento da realidade do próximo fortifica o mau uso do “cancelamento”. De acordo com a UOL, mesmo que haja uma reconsideração, comentários de 10 anos atrás, por exemplo, podem ser motivo para banalizar e ridicularizar alguém. A hipocrisia começa na situação de que o foco é punir alguém que fez algo “ruim” - conforme uma análise particular- com uma ação ilegal. Ou seja, a intolerância é pelo ser humano imperfeito, o qual é o único existente. Tal como mencionado pela UOL, os “cancelados” podem desenvolver sentimentos de abandono e desprezo por um ato que poderia ser falta de informação ou uma opinião instaurada sem a devida reflexão antes de ser dissipada. É inquestionável que os indivíduos precisam ser responsabilizados por suas ações, contanto que seja de uma forma benéfica para o “errado” e a sociedade.

Nesse contexto, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Contudo, só haverá melhoras caso o Legislativo puna criadores de cancelamentos que não são crimes, por meio de leis rígidas, para que os cidadãos tenham direito de se defender. Ademais, a mídia deve proporcionar, junto da Secretaria da Cultura, a reflexão sobre discurso de ódio e opinião, mediante a vídeos na internet, para que, assim, ocorra menos casos que possam gerar desentendimentos e malefícios.