Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 25/05/2022
Em 2021, a ex-BBB Karol Conká foi vítima da cultura de cancelamento no Brasil. Todavia, esse cancelamento, ao invés de orientar a cantora sobre suas ações, levou xingamentos e ameaças a ela e seu filho, o que mostra a ineficácia da cultura do cancelamento como forma de justiça social, em especial no que concerne à expectativa de perfeição e à autotutela enraizada.
À vista desse cenário, a idealização de pessoas, principalmente públicas, motiva a permanência do problema. Sob esta ótica iminente, o filósofo contemporâneo Guy Debord, em sua obra “Sociedade do Espetáculo”, argumenta como as relações sociais são mediadas por imagens. Nessa lógica, quando uma pessoa comete erros, a sociedade pune esse indivíduo de forma cruel, o que mancha sua imagem pública e, como denunciado por Debord, impede que ele ressocialize. Dessarte, é medular normalizar as pessoas e figuras públicas.
Outrossim, enquanto a justiça popular se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com essa forma de violência. Consoante a isso, o escritor José de Souza Martins, em sua obra “Linchamentos”, afirma que o cancelamento é a forma de justiça do povo brasileiro. De maneira análoga, a cultura do cancelamento busca retribuir as ações do indivíduo ao invés de neutralizá-las, então a pessoa é enquadrada na justiça popular explicada por Martins, na qual é reduzida a seu erro permanentemente e impedida de regressar ao meio. Destarte, revela-se a imprescindibilidade de alterar a postura social com relação aos erros.
Portanto, com o fito trazer uma nova forma de justiça social para o Brasil, o Supremo Tribunal Federal, responsável por garantir a constitucionalidade, em parceira com o Meta, devem combater a cultura do cancelamento, por intermediário de campanhas nas redes sociais que alertem dos perigos e da ineficácia do cancelamento para o cancelado e para a sociedade. Além disso, comentários de ódio seriam localizados por algoritmo e alertas seriam emitidos aos publicadores, para preservar o bem-estar no meio social de todos. Assim, vítimas como Karol Conká e seu filho serão apenas história, e não mais realidade.