Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 21/09/2020

De acordo com o teórico britânico David Harvey, a globalização fomentou o chamado encolhimento do mundo, isso é, uma intensificação das relações pessoais a distância devido aos avanços na área da comunicação. Entretanto, as novas tecnologias também trazem novas formas de opressão, principalmente no que concerne à cultura do cancelamento: uma inovação perigosa. É possível afirmar que não só a maneira infantil de se imaginar o ser humano em uma perspectiva reducionista de bom ou mau, como também a incapacidade de se perceber a mudança do homem frente ao tempo fomentam o status quo do século XXI: a hipócrita falta de empatia.

Inicialmente, é necessário dizer que a complexidade das ações humanas vai além de uma utopia romântica de Alencar, a qual assume uma visão maniqueísta de mundo. Aliás, na realidade, sabe-se que o raciocínio é bem mais profundo, isso ao ponto de existirem ciências humanas para investigarem a vontade da espécie. Portanto, julgar o comportamento social em um único momento é uma descabida irresponsabilidade, a qual pode acarretar danos incalculáveis devido ao criticismo — em risco de extinção — , somado à eficiência de propagação das informações na contemporaneidade.

Ademais, o tempo muda, as tendências se alteram e, como todo animal, o indivíduo se modifica — inclusive o próprio pensamento. A chance de se olhar para o próprio passado e melhorar como ser é um privilégio, o que está em iminente risco de se desfazer por um dia ruim, uma impaciência cotidiana, responsabilidades do dia e, principalmente, por uma câmera filmográfica. A priori, novamente, é inadmissível retratar uma pessoa como boa ou ruim apenas pela vulgaridade de um momento que pode ter raízes profundas — claro, que leve em consideração o bom senso.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino, conscientizar a população por intermédio de palestras midiáticas que influenciem a leitura de clássicos realistas e naturalistas — os quais carregam grande conteúdo crítico da realidade e, sobretudo, do ser humano. Espera-se, com tudo isso, um aperfeiçoamento da empatia e da diminuição do cancelamento social. Afinal, todos são compostos por fases.