Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/09/2020
Durante a Idade Média, a Igreja Católica tinha por prática comum queimar na fogueira os indivíduos que ameaçassem ou desrespeitassem suas doutrinas. Bem como ocorreu nessa época, muitos internautas têm, nos últimos anos, utilizado a rede para provocar linchamentos em um movimento chamado cultura do cancelamento. Dessa forma, a busca por pessoas perfeitas e a possibilidade de hostilizar alguém anonimamente pelo computador fazem com que um erro qualquer vire motivo para ataques on-line.
Primeiramente, é importante estabelecer que cada indivíduo possui certos fundamentos e ideais básicos. De acordo com Oscar Wilde, ética é “o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando”, ou seja, são ações que guiam o convívio coletivo e fazem com que as pessoas se respeitem. Assim, quando uma atitude é vista como errada por outros indivíduos, seu praticante pode sofrer linchamento por meio de ataques físicos ou verbais.
Além disso, a internet funciona como um potencializador dessas agressões, já que seus usuários se sentem protegidos pelo computador. Por exemplo: em um episódio de “Black Mirror”, abelhas robôs controladas por internautas matavam as vítimas de linchamentos virtuais com base nas hashtags em alta nas redes sociais. Logo, percebe-se que o espaço online facilita a propagação de discursos de ódio por motivos diversos, o que pode colocar a saúde física e mental das vítimas desses ataques em risco.
Sendo assim, fica clara a necessidade de garantir uma maior segurança dos usuários na internet. Para isso, cabe ao Governo, por meio do Poder Judiciário, criar um conjunto de normas que obriguem as redes sociais a bloquear usuários que ataquem demais pessoas, além de estabelecer uma multa a eles caso haja reincidência, com o objetivo de reduzir os movimentos de cancelamento virtual e garantir maior segurança aos internautas. Só assim a internet se tornará um espaço mais seguro para todos.