Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/09/2020
Na Califórnia, Emmanuel Cafferty perdeu o seu emprego após uma imagem circular na internet na qual ele supostamente faz um simbolo usado por supremacistas brancos. Descobriu-se, mais tarde, que Cafferty estava somente estralando os dedos, porém o estrago já havia sido feito: a imagem viralizou e ele perdeu o seu emprego. Isso mostra o quão problemática a cultura de cancelamento pode ser, já que além de ser pouco efetiva ela pode destruir a vida de pessoas inocentes.
A ineficiência do cancelamento surge de uma visão punitivista dos perpetuadores de tal prática. Não há espaço para que o acusado possa se retratar ou para que os acusadores possam fazer uma crítica construtiva, ao invés de agressiva. Pelo contrário, o que há é uma exclusão social imediata, que ao invés de fazer a pessoa cancelada repensar suas ações, somente a empurra ao campo do ressentimento, criando assim um ciclo de ódio que desagrega e impede o avanço do debate público.
Além disso, como no caso do Emmanuel Cafferty, muitas vezes a pessoa é vítima de um cancelamento injusto. E diferente do ato de cancelar, que é rápido, impulsionado pelo meio viral da internet, desfazer esse ato é algo lento e as vezes impossível. Isso porque o fato de que a pessoa é inocente a não é compartilhado com a mesma proporção que o de seu cancelamento. O que pode fazer a pessoa perder o emprego, amigos e até mesmo tirar a própria vida.
Sendo assim, se faz necessário uma mudança na cultura de cancelamento, para criarmos um ambiente saudável onde se possa exigir posicionamentos corretos sem apelar para exclusão e desagregação. Dessa forma, a sociedade civil deve se policiar perante uma tentativa de cancelamento, buscando analisar a situação com cuidado e utilizando uma argumentação empática e construtiva. Além disso, o Ministério Público deve processar os responsáveis por cancelamentos indevidos, principalmente quando a vida do alvo de tal ação é prejudicada, evitando assim que vidas sejam destruídas por essa prática.