Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/09/2020
Pode-se dizer que hoje a cultura do cancelamento está enraizada nos meios de comunicação virtual. Qualquer deslize ou descuido do incauto internauta basta para ele ser jogado na “berlinda” das redes sociais. Isso pode significar um linchamento virtual, uma perda de contrato e até mesmo ameaças de morte.
Talvez falte nesse meio o necessário discurso filosófico de que todo ser humano é por essência bom e mau. Consoante uma famosa frase do filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros”, já que a convivência expõe nossas fraquezas, e isso pode acarretar uma série de desconfortáveis ataques diante da multidão de “justiceiros” e defensores do bom costume e da moral. Mario Sergio Cortella, famoso filósofo brasileiro, comenta em entrevista à DW Brasil, acerca do ódio que se disseminou pelo país que: “na internet todos têm uma opinião, mas poucos têm fundamentos para ancorá-la”.
Ou seja, a instantaneidade e a conectividade das mídias sociais fomentam um ambiente hostil em que todos tem uma opinião sobre algo. A consequência disso pode ser um debate raso e sem fundamento, mas acalorado pela pressão do momento. Nesse contexto, vale lembrar que atitudes descritas envolvendo linchamento virtual pode acarretar em processos, tanto na esfera cível e/ou penal, sob acusação de injúria, calúnia e difamação. Contudo, o mais aconselhável é não chegar aos fins de fato. Pois, rápidas pesquisas na própria internet e uma educação com base na ética e respeito mútuo pode se evitar maiores problemas com a justiça penal.
Portanto, a cultura do cancelamento representa uma ameaça concreta não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos como a todos os cidadãos que, indiretamente, figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o Governo Federal deve inibir, por meio de implementação de leis e parcerias com a sociedade civil, para conscientização dos males que podem acarretar um ataque virtual sem fundamento.