Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/09/2020

Hannah Arendt, em sua obra “A Banalidade do Mal”, alude que o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Sob essa ótica, ao analisar a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, entende-se que o pensamento da política é constatado tanto na teoria quanto na prática e a realidade segue intrínseca ao país. Nesse sentido, têm-se os fatores de agravamento do fenômeno, tais como o abuso de poder e falta de apelação midiática.

Em primeiro plano, de acordo com Michel Foucault, as relações de superioridade estão presentes em todas as esferas, desde os primórdios da humanidade. A partir disso, o sociólogo defende que nos grupos sociais ocorre uma observação contínua e controle de comportamentos. Analogamente, o abuso de poder tem sido materializado na conjuntura hodierna, haja vista que muitos indivíduos são cancelados nas redes sociais, após expressarem opiniões consideradas moralmente incorretas, eliminando a liberdade de expressão. Assim, verifica-se que os alvos de críticas enfrentam problemas psicológicos, como ansiedade e depressão.

Outrossim, consoante os sociólogos alemães Adorno e Horkheimer, os meios de comunicação influenciam e direcionam os receptores. No entanto, infere-se que este cenário se encontra defasado na rotina atual de muitos cidadãos, de modo que a insuficiente divulgação da mídia sobre os efeitos do tema, torna-se um fator de exígua evolução comunitária. Por isso, é imprescindível as divulgações em massa em todo país.

Portanto, o Ministério da Educação deve, através de políticas institucionais, promover cursos de especialização a professores de Filosofia e Sociologia acerca do tema de cancelamento na sociedade contemporânea, para que nas salas de aula ocorra a implementação de debates sobre o julgamento criado nas redes sociais e seus impactos, com a finalidade de incitar a reflexão de jovens e adolescentes. Ademais, cabe à mídia a realização de propagandas informativas, ressaltando uma sociedade empática, em contraposição com os ideais de Hannah Arendt.