Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 02/09/2020
Por muito tempo, a internet foi conhecida como um local de impunidade, onde poderia-se manifestar qualquer posicionamento ou ideologia. Dessa forma, parte deste princípio o desejo incontrolável da sociedade do século XXI de padronizar o que é correto e incorreto dentro das mídias digitais, além de identificar potenciais abusadores, assassinos, chantagistas, e todas as visões que os “cidadãos de bem” mantém sobre outros indivíduos, que não terão tempo para tentarem se defender, porque todos os seus dados e fotos já estarão na internet, juntos a uma exposição que pode ou não ser verdadeira, sobre qualquer pessoa, e em especial, as que possuem maior visibilidade. Portanto, o medo e a insegurança projetam uma convivência tóxica, desencadeando uma “síndrome de Robin Hood”, que refere-se ao desejo de lutar por uma causa, não importa se os meios ferem a Constituição, proporcionando histeria e falso senso de justiça, também conhecido como “Cultura do cancelamento”.
A título de exemplo, no caso “Salve a Bel para meninas”, - que constava nos assuntos mais comentados do Twitter - acreditava-se que uma garota chamada Isabel Peres, de 11 anos, estaria sendo abusada por seus pais, que não permitiam que ela crescesse, ou vestisse as roupas ditas “para a sua idade”. Diante dessa exposição, feita por um usuário agora anônimo, uma massa fez denúncias, e incitaram o ódio sob uma menina e seus progenitores. Em tal momento, os policiais foram convocados, e a investigação durou semanas, com multidões mostrando tudo o que estava acontecendo em tempo real, sem se preocupar com o estado que essa família poderia estar depois de toda essa conturbação.
“Se tornou aparentemente óbvio que nossa tecnologia excedeu nossa humanidade”, postulou com excelência Albert Einstein há tanto tempo atrás, uma visão que perdura até a contemporaneidade que, ao descobrir que suas acusações no caso referido anteriormente eram errôneas, colocaram nos assuntos mais comentados “Bel cancelada”, e ridicularizaram a garota que pedia respeito.
Ademais, expor pessoas na internet é um crime civil, além de ir contra o princípio de que todos são inocentes até que se prove o contrário. Posto isso, estima-se que 42,4 milhões de cidadãos foram vítimas de cibercrimes em 2016, segundo o jornal Estadão, e, em um país onde há mais celulares do que pessoas, entende-se o peso que um “cancelamento” pode ter em desfavor de alguém.
Em suma, devem ser formalizada, pelo governo federal, uma “webdelegacia” que averígua crimes cometidos na internet, responsabilizando todos os envolvidos culpados de eventuais acusações, e que conste com um suporte de denuncias, para que parem de usar o Twitter e Facebook como 190. Dessa forma, a internet deteria melhores experiências e segurança social.