Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 21/11/2020

Em 2006 o microblog “Twitter” surgiu como uma ferramenta de interação social, a qual possibilitou a discussão e a denúncia sobre diversas problemáticas. No entanto,os objetivos iniciais desse microblog foram subvertidos e originou a cultura do cancelamento - a qual é extremamente danosa para o desenvolvimento de pensamentos- Por conseguinte, esse cenário apresenta-se como negativo e urge debate para minimizar os efeitos deletérios e possibilitar o amplo espaço democrático de ideias. Ademais, para melhor análise desse cenário deve-se ressaltar a violência nas mídias sociais como forma de coerção e a intolerância a diferentes opiniões.

Em primeiro plano, a violência nas mídias sociais como forma de coerção reverbera a imposição de posicionamento padrão, uma vez que, quando o indivíduo discorda ou não se posiciona o julgamento é sobressalente de forma que esse indivíduo é “cancelado” e hostilizado. Nesse contexto, a obra “ Microfísica do poder” , de Michel Foucault, ratifica o poder do discurso nas relações sociais de modo a manter um determinado grupo coeso, porquanto, a tendencia de cancelamento é a expressão da tirania, que usurpa o objetivo de interação social das mídias. Dessa feita, a violência coercitiva nas redes é extremamente nociva ao desenvolvimento da criticidade e deve ser combatida.

Outrossim, a intolerância a diferentes opiniões fragiliza o espaço democrático, sobretudo, quando associada ao discurso de ódio. Nesse sentido, o conceito de ação comunicativa , do filósofo Habermas, ressalta a importância do diálogo para a manutenção do espaço público para a coesão social. Com efeito, a intolerância além de restringir a expansão de mundo por meio da linguagem impõe discursos dominantes, contrariando o princípio fundamental da convivência harmônica, a busca por consensos e debates sobre as questões morais da sociedade.

Em suma, percebem-se os malefícios da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Dessarte, as mídias sociais devem promover campanhas - as quais incentivem os internautas ao uso consciente do meio digital - por intermédio de veiculação nas próprias redes, na perspectiva de mitigar a violência coercitiva nas redes sociais. Além disso, os internautas devem impulsionar o amplo debate nas mídias sociais, por meio de um discurso anti-impositivo - o qual busque inverter discursos dominantes- com o fito de promover tolerância às diferentes opiniões. Assim, ter-se-á assegurada a real interação social do “Twitter” e das redes sociais em geral.