Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/11/2020

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômica é característica da “modernidade líquida” vivida no século XX. A cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, que não admite o diálogo ou rendição com o indivíduo “cancelado” reflete a realidade apresentada por Bauman.

Em primeira análise, é necessário destacar que os “cancelados” podem sofrer perseguição, desprezo, abandono e esquecimento, o que é extremamente prejudicial para a saúde mental de qualquer ser humano. Segundo  a colunista e feminista Stephanie Ribeiro, o ponto negativo é que essa cultura baseia-se no ódio, sem fazer criticas embasadas ou ter consciência da responsabilidade coletiva.

Ademais, vale ressaltar que não importa o que o individuo faça, ele sempre será lembrado pelo motivo que foi “cancelado”. Uma charge publicada no site “Willtirando” exemplifica bem este fato, o chargista retrata uma cena onde uma mulher vê um homem fazendo uma boa ação e avisa aos demais, mas logo em seguida, outro indivíduo aponta um erro que este homem cometeu há vinte anos, e então ele é linchado. Ou seja, o cancelado não tem o direito de se arrepender e pedir desculpas pelos seus erros.

O combate a liquidez citada inicialmente, a fim de combater o avanço da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea deve-se tornar efetivo. Assim, a Mídia, em parceria com a população, deve abrir espaço para o debate em programas de televisão, jornais e “lives” em redes sociais, que são os principais meios de comunicação com o grande público, por meio de conversas sicólogos e pessoas que já foram canceladas. Com o intuito de sensibilizar a população para com o tema, e assim, erradicar a prática do cancelamento na sociedade contemporânea.