Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/10/2020

A “cultura do cancelamento” não é muito efetiva, pelo menos não nas castas privilegiadas. De acordo com a BBC, o termo “cancelar” retrata-se geralmente alguém (famoso ou não) que comete algum erro ou tem algum posicionamento problemático. Dessa forma, um nicho específico começa a denunciar tais atitudes, marcando o local onde esse indivíduo trabalha ou marcas que o patrocinam. Já um vídeo da revista Veja afirma que “cancelar” alguém refere-se a ignorar totalmente uma pessoa e tudo o que essa produz.

Pode-se dizer que o “início” da cultura do cancelamento veio em 2017 com a #MeToo, criada pela ativista Tarana Burke a fim de denunciar agressões sexuais. Essa hashtag que acabou chegando em atrizes famosas como Rose McGowan e Alyssa Milano, que relataram os assédios os quais passavam no trabalho.

Citando um exemplo de “cancelamento”, a famosa escritora dos livros de Harry Potter, Joanne Rowling, chamou atenção nas redes sociais por apresentar atitudes transfóbicas, uma vez que a autora se opôs a expressão “pessoas que menstruam”, que visa incluir homens transgêneros e pessoas não binárias nas questões relacionadas à menstruação. Segundo Rowling, esse termo apagaria a realidade vivida pelas mulheres.

Outro exemplo é o caso do Emmanuel Cafferty, descendente de migrantes mexicanos, que perdeu o emprego após ser fotografado fazendo o sinal de “ok” na janela do carro. Todavia, esse símbolo foi adotado em 2017 por usuários racistas do 4chan como um símbolo de supremacia branca. O trabalhador diz que não tinha conhecimento da tomada do símbolo por grupos extremistas. Duas horas após esse ocorrido o trabalhador foi notificado que foi demitido. Cafferty afirma que foi fotografado por um homem branco e foi denunciado aos seus chefes, esses também brancos, que preferiram acreditar no acusador ao invés do trabalhador, que não é branco.

Com esses casos acima é possível concluir que a “cultura do cancelamento” não atinge todos da mesma forma. J.K Rowling não foi afetada por essa “cultura” da mesma forma que Cafferty foi, uma vez que o trabalhador não possui o mesmo acesso e nem o mesmo poder que a escritora. É necessário analisar injustiças, principalmente cometidas por personalidades influentes, e denunciá-las, para assim obtermos uma sociedade mais justa e que esses atos e declarações problemáticas não sejam normalizadas. Contudo, é necessário analisar a realidade da pessoa que foi “cancelada”, para não prejudicar uma pessoa que não possui conhecimento sobre a problemática de seu posicionamento ou se arrependeu desse.