Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/09/2020
A internet surgiu na década de 70 e tinha como finalidade difundir informações. As redes sociais, por exemplo, ganharam espaço no mercado mundial devido à capacidade de permitir a troca virtual de mensagens e expor opiniões. Passando para a esfera atual, ao observar o fenômeno da cultura de cancelamento, pode-se dizer que a internet tem sido usada de forma negativa por algumas pessoas - seja pela proliferação de discursos de ódio, seja pela incapacidade de reconhecer evoluções pessoais.
Vale ressaltar, em primeiro plano, que as redes sociais são ferramentas eficazes para dar poder e visibilidade às minorias. Isso ocorre devido à facilidade de expor injustiças e preconceitos ocorridos no dia a dia, tendo em vista a praticidade de se publicar conteúdos nas plataformas midiáticas. Entretanto, algumas pessoas ao presenciarem estas publicações, direcionam suas frustações e , por falta de empatia, cancelam os acusados, sem ao mesmo fazerem uma apuração competente do que foi postado. Com isso, há a proliferação do discurso de ódio, assim como ocorreu com a atriz Léa Michele, que foi mais uma vítima dos comentários maldosos dos “canceladores” por haver a hipótese de ter cometido um ato racista antes de ingressar na carreira do teatro.
Além disso, a busca exacerbada pela razão em uma discussão fomenta a polarização na sociedade. Para José Ortega Y Gasset, importante filósofo espanhol, o ser humano é influenciado pelo meio. Nessa perspectiva, os indivíduos que estão inseridos em uma sociedade que dá prestígio aos que ganham debates nas redes sociais, tendem a recorrer a diversos recursos para descredibilizar a oposição, como, por exemplo, a exaltação de erros cometidos em um passado distante. Nesse contexto, há uma maior importância dada aos defeitos do que às qualidades, culminando na incapacidade de reconhecer boas atitudes e permitir, por consequência, a evolução pessoal.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para alterar o cenário vigente. Logo, faz-se necessário que a sociedade, por meio da exaltação de feitos positivos das pessoas, contribua para um olhar menos discriminatório e excludente, com o objetivo de mitigar o desejo de crucificar pessoas e garantir que qualidades sejam superiores a defeitos. Ademais, a família deve, através de debates com os integrantes mais novos, ensinar que vencer uma discussão deve ser feito com respeito e conhecimento, a fim de garantir que as gerações futuras não recorram a prática de apontar o dedo e, por conseguinte, tornem-se mais saudáveis e aptos para a conversa. Desta maneira, será possível cancelar a cultura do cancelamento.