Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/09/2020
Não concordar com uma opinião ou fala de um indivíduo é algo natural do ser humano, tanto que existem debates e meios para expor expressões e pensamentos, as redes sociais não são diferentes. Há milhares de pessoas que compartilham pontos de vistas, piadas e argumentos, porém nem todos são aceitos de forma “pacífica” ou respeitosa, partindo, assim, para o cancelamento. Há também os chamados “exposed”, expressão em inglês que remete a ação de expor uma certa pessoa pelo que ela fez ou falou, dando outro ponto de partida para essa cultura presente, principalmente, nos meios de comunicação. Entretanto, o que causa uma reação rápida desses usuários é a forma estressante que a população carrega sua rotina, trazendo consequências para quem foi censurado.
Imediatamente ligado a quarentena devido a pandemia do Corona vírus, o estresse passou a ser mais presente na vida da população mundial e também dos brasileiros, representando uma porcentagem de 53,8%, de acordo com um levantamento realizado pela startup de tecnologia Behup. Assim, o estresse e a ansiedade, que representa 60,3%, de acordo com a mesma fonte já citada, misturados com o dever de permanecer em casa e ter como a única forma de escape de emoções as redes sociais, acaba implicando em desabafos e “lições de moral” para qualquer indivíduo nestas plataformas, gerando debates e discussões e posteriormente o famoso: “cancelado”.
Dessa forma, as consequências para quem recebe esse tipo de mensagem podem implicar muitas vezes na saúde mental, novos relacionamentos ou em problemas em se restabelecer de forma ativa na plataforma social novamente. Um exemplo de cancelamento que acabou prejudicando o indivíduo em retomar suas atividades em uma rede social, foi o caso do youtuber Tio Orochi que após gravar um vídeo comentando a respeito de bulimia e o grupo sul coreano BTS, as fãs desses artistas se revoltaram e cancelaram o “influencer”, derrubando sua conta no Twitter e impedindo com que ele voltasse sua atividade nesta plataforma.
Portanto, para evitar com que essa cultura continue afetando esses usuários, é necessário investimentos por partes dos responsáveis por essas redes de comunicação em campanhas e propagandas para a conscientização de reciprocidade e respeito de opiniões e saber quando é necessário a aplicabilidade da “lição de moral” sem que haja falta de respeito na hora de se conscientizar alguém sobre algum tipo de comentário, sem penalizá-lo com o cancelamento. Desse modo, esses “meios de escapes opinativos” passam a ter menos impaciência e mais coletividade e trocas de argumentos e opiniões, garantindo o enriquecimento argumentativo de ambos os lados.