Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/09/2020
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é caraterística de “modernidade líquida” vivida no século XXI. A cultura do cancelamento mostra-se um problema social atual vindo da internet, refletindo essa realidade.
De início, é notável destacar a questão da saúde mental de influenciadores digitais, que correm risco de serem cancelados por atitudes do passado. Isso porque, a partir do momento em que algo é registrado na internet, seja pela própria pessoa, ou por algum desconhecido, permanecerá na rede, com milhares de visualizações e replicações. Contando também que atitudes e falas do passado são mudadas com o tempo, assim como a pessoa que replicou tal ato. Prova disso recai quando comparamos publicações anosas e atuais feitas pelo mesmo indivíduo, onde é possível observar amadurecimento e mudança de ideias e ideologias.
Ademais, cabe ressaltar a questão do impulsionamento da busca por uma perfeição incessante e inexistente nas redes, impedindo cada vez mais que pessoas aceite seus defeitos, e também, tenham medo de expressar suas idealizações e conceituações. Sendo assim, tornou-se urgente reconhecer que esse processo resultou hoje, em, altas taxas de repressão e medo de publicar qualquer comentário ou ideia, onde pode ser interpretado de forma errônea, tendo potencial, assim, de ser atacada e julgada.
O combate à liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço da cultura do cancelamento nas mídias, deve tornar-se afetivo, uma vez que causam problemas psicológicos graves vindos dos ataques sofridos. Sendo assim, desde que haja parceria entre governo comunidade e família, será possível amenizar o cancelamento e os problemas que são causados, construindo uma sociedade mais fiel aos princípios da constituição.