Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/10/2021
De acordo com o filósofo Aristóteles, a primeira igualdade é a justiça. Entretanto, quando se trata de justiça através das redes sociais, a situação se torna paradoxal, pois a cultura do cancelamento tem gerado sérios conflitos, nos quais englobam injustiças e lixamentos nos ambientes virtuais. Nesse aspecto, é válido analisar o papel da internet como difusora desses atos e as principais consequência do cancelamento para as vítimas.
Em primeiro plano, é importante destacar, as redes sociais como principal instrumento de disseminação de discursos de ódio. Isso ocorre devido a velocidade com que as informações são propagadas, por meio do compartilhamento ilimitado, podendo ser reais ou fake News. Nesse sentido, os linchamentos virtuais acontecem com pessoas que agiram de forma contrária a ideologia de alguns grupos específicos, provocando, assim, o cancelamento em rede. Essa questão pode ser afirmada pelo escritor Paulo Coelho, na qual ele defende que “o caminho digital é sem volta”, pois o efeito dominó que ela provoca causa danos irreversíveis a vida dos indivíduos. Dessa forma, é essencial que haja conscientização populacional, em conjunto com ações limitantes de conteúdos virtuais, que pregam a justiça mascarada de discursos de ódio.
Diante desse fato, é perceptível que uma das consequências da cultura do cancelamento é a exclusão social. Essa problemática resulta da difamação e da exposição excessiva da vida pessoal dos indivíduos nas redes sociais. Tal fato se reflete no caso da ex BBB “Karol com K”, em que após expor alguns traços compulsivos da sua personalidade, sofreu ataques midiáticos, o que provocou a queda dos seus seguidores e de contratos de shows, interferindo negativamente na sua carreira. Desse modo, é notório que a cultura do cancelamento provoca uma grande destruição na vida social das vítimas, na qual revela a imaturidade da população em lidar com diferenças de percepções íntimas e de caráter.
Fica claro, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas públicas reguladoras e educativas. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Estado, realizar palestras gratuitas nas escolas e nas comunidades, objetivando instruir a população sobre os malefícios do compartilhamento de informações falsas e de teor que agrida a intimidade das vítimas, a fim de que eles aprendam a filtrar e identificar conteúdos invasivos para que se evite os discursos de ódio. Ademais, é indispensável que o Ministério da Comunicação planeje mecanismos em curto prazo que limitem a propagação de temáticas polêmicas, pelas redes sociais e por programas de entretenimento, com intuito de evitar o acesso ilimitado dos indivíduos a esses assuntos. E, com isso, ocasionar a diminuição da exposição desnecessária e eliminar a cultura do cancelamento.