Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/10/2020

Hodiernamente a cultura do cancelamento, eleito termo do ano em 2019, pelo dicionário Macquare, que significa excluir uma pessoa de influência ou não do seu círculo social, é polêmico. Isso, visto que, o movimento que tinha como seu objetivo principal dar voz à grupos minoritários, começou a reduzir personalidades à seus erros, sem chance de explicação. Diante disso, o linchamento virtual deve ser combatido, pois acarreta em sérios problemas presentes na sociedade.

Em primeira instância, convém ressaltar que, o movimento ganhou destaque com a #MeToo, que denunciava casos de abuso sexual cometidos por homens influentes de Hollywood, em 2017. Essa mobilização é necessária, pois permite que pessoas antes inatingíveis, por suas posições sociais, sejam reveladas a sociedade e falas preconceituosas não possam mais ser reproduzidas. Porém, com a popularização e também percepção de poder, em razão de se sentir moralmente superior, a ação começou a ser banalizada, de forma que, não é mais necessário um crime, apenas uma discordância de ideias, para ser boicotado nas redes sociais.

Em segundo plano, faz-se necessário destacar que, na internet, os usuários por conseguirem se esconder através de perfis falsos, expõem de forma agressiva seu posicionamento e muitas vezes causa um efeito manada, em que começa com, por exemplo, o uso de um termo equivocado ou por ignorância e torna o assunto cada vez mais comentado e favorecido pelo logaritmo da plataforma, assim, gera engajamento e seguidores para quem ataca. Por outro lado, no caso dos famosos, ocorre o incentivo ao não-consumismo de seus produtos, ameaças e discurso de ódio, em que pode afetar o convívio social, bem como a saúde mental, como aconteceu com a influencer Alinne Arujo, que se suicidou após ser duramente criticada por decidir se casar consigo mesma, depois de seu noivo romper o relacionamento.

Em suma, para superar o óbice vigente e garantir a supremacia dos direitos humanos, o Estado e as demais órgãos responsáveis devem sanar a problemática. Desse modo, a Escola associada à Família, como meio de primazia de ensino, deve incentivar o uso consciente das mídias sociais, por meio de palestras e disciplinas voltadas à utilização da internet, afim de diminuir as agressões no meio virtual. Além disso, as Plataformas Digitais devem, através de revisões dos comentários dos usuários, melhorar a ferramenta para que ataques não sejam, de certa forma, premiados, e sim descartados, com o fito de evitar a propagação de ódio.