Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/10/2020

A cultura do cancelamento surgiu com o objetivo de expor personalidades (famosas ou não) por violências dentro ou fora do espaço virtual. Porém, com o passar do tempo não se fez mais necessário cometer um crime para ser “cancelado”. Para isso, bastava a-penas empregar um termo equivocado ou  usar uma expressão que reproduz preconceito. Assim, em vez de tratar sobre assuntos relacionados ao bem social e ambiental, essa cultura de cancelamento começou a levar punições ou linchamento para quem fez comentários por ignorância.

Como exemplo de personalidade famosa que foi “cancelada” de forma errônea, existe o cantor e compositor Raul Seixas. Na biografia “Não diga que a canção está perdida”, publicada 30 anos após a morte do cantor, afirma que ele teria entregado seu amigo e escritor Paulo Coelho aos militares durante a Ditadura Militar. Porém, quase um ano depois de seu “cancelamento”, a Folha de São Paulo publicou documentos mostrando que Raul não entregou Paulo na ditadura. O artigo mostra que o autor sofreu tortura no lugar de um militante de esquerda com nome parecido: Paulo Coelho Pinheiro. Assim, fica explícita a falha na cultura do cancelamento, pois ocorre a degradação da imagem das pessoas sem antes acontecer uma análise para saber se existe um equívoco nas informações.

Essa cultura leva a consequências que não podem ser controladas. Logo, um exemplo claro disso foi o da blogueira Alinne Araújo de 24 anos. Ela casou sozinha após o noivo entrar em contato através de um aplicativo de mensagem informando que havia mudado de ideia. Então, Alinne resolveu compartilhar o casamento solo aos seus seguidores. Porém, a reação deles foi diferente do esperado por ela. A blogueira começou a sofrer ataques nas redes sociais, acusando-a de criar uma situação para ganhar fama. Entretanto, esse não era o objetivo e Alinne acabou não suportando as agressões virtuais cometendo suicídio. Desta maneira, as pessoas que “cancelaram” a bloqueira fizeram isso de maneira errônea. Pois, se precipitaram em suas opiniões, atacaram a Alinne e contribuiram para que ela tirasse a própria vida.

Conclui-se, então, que a cultura do cancelamento está perdendo seu foco inicial e começou a levar punições e linchamentos a diversas pessoas de maneira equivocada. Assim, as redes socias, como Facebook e Twitter, devem criar caixas de diálogo que apareçam antes das publicações. Essas devem conter informações objetivas sobre a necessidade do conteúdo da postagem ser verdadeiro, alertando sobre a responsabilidade caso façam publicações sem certeza das informações contidas nelas. Desta maneira, as pessoas reflitirão sobre suas postagem e pensarão duas vezes antes de compartilhar informações duvidosas.