Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/10/2020

O filósofo Michael Foucault em sua teoria da microfísica do poder, diz que, não somente as relações autoritárias exercem poder, como também os discursos presentes em pequenos grupos sociais, bem como, a cultura do cancelamento, que é uma espécie de justiça social, na qual uma pessoa é excluída de uma posição de influência.

A primeira vista, a cultura do cancelamento parece algo bom, porque tem o intuito de fazer a pessoa cancelada repensar sobre suas atitudes erradas e não voltar a cometê-las e também, para servir de exemplo para os outros, contudo, na prática não funciona dessa maneira, a internet se tornou uma grande justiceira e o cancelamento apenas funciona como uma forma de punição para quem fez algo errado e que não é tolerado por um grupo.

Logo, o cancelamento torna-se algo perigoso, pois permite que a sociedade desempenhe o papel de juiz, de maneira que vivam em um constante vigiar e punir. O ato de cancelar alguém , pode gerar uma série de consequências negativas, por exemplo a influenciadora Gabriela Pugliesi, que após ser cancelada, perdeu diversos contratos e patrocinadores. No livro Além do bem e do mal, escrito por Nietzsche, ele diz que, aquele que luta com monstro deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro, ou seja, as pessoas que cancelam, podem estar tão erradas quanto as pessoas que foram canceladas.

Portanto, o Estado deve intervir em situações de homofobia, racismo e preconceitos, julgando as pessoas que cometessem tais atos na internet e não os internautas. Além disso, o aprimoramento da educação para que desde cedo, as crianças aprendam sobre empatia e respeito, de modo que, se caso não gostem de um perfil nas redes sociais, apenas deixem de segui-lo e não expô-lo ao ridículo ou propaguem ódio, só assim, pode-se diminuir ou evitar os casos de cancelamento.