Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 17/01/2021

No ano de 2006, nascia o Twitter, microblog on-line cujo objetivo era a rápida disseminação de notícias e informações, de modo a potencializar a interação positiva entre seus usuários. No entanto, no decorrer de sua história, ocorreu a subversão de seus objetivos: tal rede social foi utilizada pela população para propagar discursos de ódio e ataques pessoais, o que representa uma das mais graves mazelas modernas, a cultura do cancelamento. Assim, deve-se combater tal fenômeno, o qual evidencia a maldade humana e fragiliza a dignidade das vítimas.

Diante desse cenário, a hostilidade dos usuários contribui para que o cancelamento seja um entrave para a sociedade moderna. Nesse sentido, George Orwell, em sua obra ‘‘1984’’, descreve uma sociedade distópica, a qual dedica dois minutos diários para ofender e insultar um inimigo político do Partido. De modo análogo, o  descrito na ficção estende-se à realidade, na medida em que os usuários de redes sociais dedicam mais que apenas dois minutos em frente aos seus ‘‘smartphones’’ ofendendo pessoas com opiniões divergentes das suas, o que personifica uma das maiores problemas da atualidade: a maldade humana na internet.

Ademais, dignidade das vítimas é desconsiderada pelos agressores na internet, os quais se protegem pelo relativo anonimato das redes. Nesse seguimento, a ‘‘hashtag’’ ‘‘MeToo’’ foi criada para denunciar casos de assédio e abuso sexual, mas foi subvertida quando seus usuários passaram a usá-la para ofender indivíduos isolados, buscando apenas ferir seu bem-estar. Dessa maneira, a cultura do cancelamento representa apenas a modernização de um antigo entrave: o discurso de ódio, o qual se apoia, na contemporaneidade, na falsa segurança de impunidade da internet. Deve-se, destarte, combater tal, forma de ofensa aos indivíduos, de modo a garantir sua integridade psicológica e humana.

Portanto, para solucionar a problemática da cultura do cancelamento, urge que as escolas, cuja função é promover a cidadania, mostrem aos seus alunos que alunos a importância de respeitar a dignidade alheia, além da necessidade de suprimir atitudes de ódio, a fim de reduzir a incidência de atos de ofensa. Isso poderia ser feito por meio de palestras e oficinas que exponham a necessidade de respeito às liberdades individuais e de se combater a maldade e atos de insulto, num projeto denominado ‘‘Escola Consciente’’. Dessa maneira, poder-se-á evitar o mostrado por Orwell, de modo a gerar uma sociedade livre, justa e fraterna.