Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/10/2020

No livro ”1984” de George Orwell, é retratado um governo destopótico e displicente,que manipula a população para aumentar o seu autoritarismo.Nessa perspectiva,é evidente a alteração de dados políticos,realizada pelo estado,na narrativa,influência,diretamente no caráter excludente da parcela social.Fora da ficção é possível perceber que o advento da tecnologia e os avanços das formas de comunicação,estimularam a formação de outro meios excludente,como a mídia.Perante essa ótica,o crescimento da cultura do cancelamento no espaço cibernético,revela a mentalidade frágil e a negligência midiática.

O sociólogo Manuel Castells,ressaltava a insegurança da sociedade globalizada,favorece a formação de comunidades fechadas, definidas por crenças únicas. Nesse contexto, a facilidade de comunicação através das redes sociais acarreta na mobilização desses grupos para criticar, muitas vezes de forma violenta, pessoas que diferem de sua forma de pensar. Consequentemente, a convivência no meio digital torna-se tóxica e permeada pela fragmentação entre diferentes nichos. Em decorrência disso, a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição de 1988, é danificada, uma vez que se fundamenta na contraposição respeitosa de discursos.

Assim sendo, o estudioso Émile Durkheim, o desenvolvimento da sociedade capitalista leva à solidariedade mecânica, isto é, ao enfraquecimento dos vínculos emocionais entre sujeitos com características distintas. Nesse sentido, a atmosfera tecnológica, marcada pelo distanciamento físico e psíquico entre seus membros, limita a capacidade de tolerância dos participantes no tocante à contradição. Assim, facilita-se a deterioração das relações sociais de modo geral, haja vista a importância do lócus eletrônico para a cultura comunitária e afetiva na pós-modernidade.

Logo, medidas se fazem necessárias para alterar esta situação. Visando a esse objetivo, é mister que o Ministério da Justiça, em parceria com o MEC e empresas de redes interativas, desenvolva uma campanha de redução da toxicidade no meio virtual. Nessa perspectiva, urge que sejam realizadas palestras e oficinas informativas sobre as penalizações de crimes online e maneiras de amenizar a propagação da odiosidade nessa conjuntura, com a finalidade de conscientizar os presentes acerca dos riscos do comportamento antiético na internet. A partir dessas ações, poder-se-á criar uma sociedade mais dialógica, acolhedora e na qual nenhum ser humano será vítima do ódio coletivo por proferir opiniões próprias, ao contrário do que ocorre no livro de Orwell.