Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/11/2020
A “cultura do cancelamento” é um tópico que vem ganhando cada vez mais força no meio social e tecnológico. Prova disso é o dicionário australiano Macquarie, que elegeu esse termo como um dos mais comentados do ano. Essa cultura teve inicio com um movimento intitulado de “Me Too”, criado com a finalidade de expor casos de assédios e agressões sexuais cometidas principalmente por astros de Hollywood. Entretanto, houve uma subversão do sentido original desses movimentos, e apesar de nascerem com uma finalidade nobre, passaram a motivar discursos de ódio na internet.
Seguindo esse ponto de vista, evidencia-se que uma das raízes desse revés é a falta de empatia notabilizada no comportamento das pessoas. Analogamente, a microfísica do poder, conceito criado por Michel Foucault, articula que o poder está estruturado na sociedade por meio de diversas insituições que disciplinam o indivíduo para que ele aja dentro dos limites morais e sociais impostos pelo Estado. Ou seja, essa rotina de ordens faz com que muitos sujeitos criem um desejo de ordenar e justifica a atitude de julgar, presente na cultura do cancelamento, pois essa é uma forma simples e imediata de obter a sensação de poder.
Depreende-se, portanto, a cultura do cancelamento como uma discussão recente, cuja prática pode oferecer consequências nocivas à sociedade, sendo necessárias medidas para combater o impasse. Dessa forma, o Poder Público, em parceria com as mídias digitais, deve desenvolver programas de anúncios nas redes, alertando sobre os efeitos do discurso e ódio e do cancelamento , de modo a conscientizar os usuários, bem como estabelecer o respeito no ambiente virtual. Somente assim, a internet pode se tornar um ambiente mais tolerante, diferentemente do cenário de 1984.