Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/12/2020
Na série animada “Os Simpsons”, a personagem Lisa recusa-se voltar para escola após ser massacrada nas redes sociais por causa de um vídeo. De fato, casos como o dela não se limitam a cenários fictícios e refletem as consequências reias que atitudes em ambiente virtual podem gerar no mundo real. Nesse sentido, debater acerca da cultura do cancelamento é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva, é necessário analisar as causas, consequências e possíveis soluções para essa conjuntura.
Deve-se pontuar, antes de tudo, que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 70% da população brasileira têm acesso à internet. Nessa lógica, é válido afirmar que os meios digitais tornaram-se parte do cotidiano das pessoas, de forma que elas passaram a usá-los como extensão de si próprio. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, “a invisibilidade equivale a morte na era da informação”. Logo, presume-se que os usuários usam a rede para expressarem seus mais diversos pensamentos, sendo eles negativos ou positivos, entretanto aqueles que são alvos constantes da descarga dos de cunho negativo, os chamados cancelados, não conseguem se distanciar e sofrem os danos psicológicos de estarem em contato diário com esse tipo de julgamento.
Ademais, o agravamento desses problemas psicológicos gerados pelo cancelamento constante no ambiente virtual, pode resultar em graves danos no mundo real. Dentre esses efeitos, conforme estudos conduzidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda maior causa de morte entre os jovens. Por certo, a possibilidade dessa ação é a maior consequência gerada pela expressão demasiada do julgamento das pessoas nas redes sociais e mesmo que as vítimas conseguissem se afastar da internet, outros alvos sofreriam os ataques. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.
Torna-se evidente, portanto, que casos como o da Lisa não podem continuar a acontecer. Assim, é necessário que o Ministério da Tecnologia, com ações das delegacias especializadas em crimes virtuais, realize investigações em busca de pessoas que usam da internet para atacarem os outros, por meio de operações planejadas em diversos lugares do país, a fim de encerrar com a ideia de que o ambiente virtual não obedece as leis. Além disso, as mídias de grande alcance precisam falar sobre a importância de se buscar ajuda psicológica, por intermédio de campanhas publicitárias, com o intuito de fazer com que o suicídio desça no ranking da OMS. Enfim, a partir dessas ações, a cultura de cancelamento será controlada nas redes.