Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/11/2020

Pontes Newtonianas                                                                                   “Construímos muitos muros e poucas pontes.” Essa afirmação do teólogo e cientista Isaac Newton pode ser facilmente aplicada à cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, já que essa problemática é marcada por concentrar a construção de barreiras sociais e a escassez de medidas para sua erradicação. Assim, torna-se claro que esse panorama tem origem no comodismo da população, assim emerge problemas complexos que precisam ser revertidos. Desse modo, agrava o debate central não só um individualismo, como também, uma carência reflexiva.                                                                Em primeiro plano, é preciso atentar para o individualismo presente na questão. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao debate sobre à cultura do cancelamento. Essa liquidez que influi sobre a questão do cancelamento funciona como forte empecilho para sua resolução. Pois, contribui com uma má interpretação dos cidadãos diante de problemas sociais, gerando assim, consequências como a cultura do cancelamento.                                                                                                                                 Além disso, outra dificuldade enfrentada é sobre uma carência reflexiva. Dados do IBGE em 2018, mostram que aproximadamente 138 milhões de brasileiros, utilizam o celular, como principal meio de acesso à internet. Embora seja uma conquista, percebe-se, que a população gerou um comodismo social em torno do problema, uma vez que, apesar de os dados serem um sinal de democratização da internet, os cidadãos não têm tentado refletir sobre as consequências dessa questão, visto que traz inúmeras implicações, como o preconceito com divergentes classes sociais, o que contribui, dessa maneira, para o crescimento fugaz da cultura de cancelamento, gerando cada vez mais vítimas.                 Portanto, uma intervenção faz se necessária. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “Workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais, o que proporciona assim, uma reflexão social que leve o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dramatizações e dinâmicas, a fim de tratar o assunto de forma lúdica, para que empatia seja uma prática presente em situações de debate sobre a cultura do cancelamento. Dessa forma mais “pontes newtonianas” vão ser construídas, e muros, derrubados.