Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/11/2020

Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, retrata o percusso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do poema do contista não tenha sido escrito sob viés social, percebe-se um alinhamento com realidade brasileira no que tange à cultura do cancelamento na contemporaneidade. No sentido de que, esse, é um notório problema social que persiste sem solução, à custa da falta de estrutura educacional e da sociedade inconsciente.

Deve-se pontuar, de início, a lacuna educacional presente no país, o que caracteriza como um complexo catalisador do problema. Segundo o educador e filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sobre isso, o autor afirma que a educação é um pilar indispensável na base da formação social, uma vez que ela tem poder de solucionar embates como os conflitos de opiniões no meio digital que visam boicotar indivíduos com posturas reprováveis. Logo, as instituições pedagógicas têm papel primordial não somente no ensino de habilidades cognitivas, mas também na formação cidadã de cada indivíduo, sendo que o desrespeito a tal fato é um agravo à sociedade e aos princípios constitucionais.

Ademais, a ausência de consciência social é também um fator relevante em relação à situação. Nessa lógica, o filósofo Karl Marx, teceu diversas opiniões em suas obras sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Em se tratando do linchamento virtual que ocorre principalmente em redes sociais, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, já que o Estado brasileiro não promove a conscientização social sobre os malefícios de posicionar-se contra postura de algo e, por consequência, acabam afetando a saúde mental de indivíduos inocentes, ferindo, assim, a cidadania de inúmeros usuários pela internet.

Portanto, é evidente que o debate a cerca da cultura do cancelamento precisa ser amplamente comentado hodiernamente, bem como seus problemas precisam ser resolvidos. Dessa maneira, compete ao Ministério da Educação propor ao Congresso Nacional uma reforma escolar, por meio de um projeto educacional, que transforme a percepção e entendimento dos jovens sobre assuntos como os conflitos desnecessário no meio digital e seus perigos. Tal reforma deve conter uma mudança na grade curricular, englobando matérias de cunho social como, ética e política, por exemplo, para preparar o aluno não somente para a Universidade, mas também para vida em sociedade. À vista disso, espera-se que a educação seja mais estruturada, garantindo assim, todo preparo que o povo necessita.