Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 04/11/2020
A Revolução Técnico-Científico-Informacional trouxe consigo o advento de diversas tecnologias e inovações ao mundo moderno, dentre elas, a internet. Tal avanço na sociedade criou um novo estilo de relação, a via web, a qual propicia a ocorrência de diversos eventos no século XXI, como o cancelamento virtual em massa. Assim, é importante compreender como as interações sociais interferem nesses acontecimentos e seus efeitos para com os indivíduos.
A princípio, vale ressaltar que a falta de empatia e altruísmo da sociedade se constitui como característica do ambiente online. A esse respeito, o filósofo prussiano Kant, em sua teoria sobre o imperativo categórico, afirma que a ética humana deve estar baseada na boa ação e conduta para com o próximo. Entretanto, ao analisar o nocivo quadro de disseminação de ódio nas redes, nota-se que o panorama atual vai de encontro a ética de Kant, visto que há um crescente número de casos de linchamentos nas redes sociais, seja com famosos ou cidadãos comuns. Logo, é imprescindível que haja uma mudança comportamental na sociedade, pois, sem a adoção de hábitos mais empáticos, os casos de agressividade contra usuários permanecerão um mal deste século.
Ademais, deve-se entender as consequências que atingem o sujeito que se encontra em situação de cancelamento. Nesse sentido, a banalização da vida e dos valores humanos ocasionam o desenvolvimento de problemas, a exemplo de transtornos de ansiedade, depressão, sentimentos de exclusão social e inferioridade, que podem vir a desencadear atos suicidas e, se constituem como características desses ataques. Nesse viés, como afirma a filósofa Hannah Arendt, a banalização do mal nos dias contemporâneos cria a falsa atenuação de atitudes maldosas. Portanto, é indubitável a necessidade de ações a fim de mitigar essa mazela e desenvolver na sociedade o pudor a atos de violência online em massa, para que se possa reverter o contexto citado de Hannah.
Diante do exposto, é evidente que a questão do cancelamento no Brasil é um entrave que precisa ser solucionado. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação – entidade responsável pelas diretrizes escolares – promover palestras sobre o ódio nas redes e as suas consequências para com o usuário, por meio de psicólogos, pedagogos e psiquiatras, com o fito de fomentar um ambiente mais harmonioso na web. Com tal medida, será possível usufruir dos avanços tecnológicos do novo século de maneira a seguir a ética kantiana.